Nota de falecimento: morre mais uma pequena empresa
Tenho uma notícia muito triste para lhes dar: acabou de falecer uma pequena empresa aqui em Recife. A causa mortis foi falência múltipla da gestão. Após covalecer por certo tempo, ela não resistiu aos ferimentos administrativos. Tinha um câncer no faturamento, vários hematomas no atendimento e um grave edema no relacionamento com os clientes.
Meses antes, entrei em contato com o pessoal dessa empresa na época em que estava a trabalhar junto com um amigo meu em uma empresa de informática. Por telefone, questionei se a empresa tinha website. A atendente disse que não. Perguntei então se interessaria um orçamento para um site, e a senhora do outro lado respondeu:
“- A gente não precisa de site não, moço. A gente nem tem computador!”
Fiquei admirado quando ouvi isso, principalmente pelo fato de ser um pequeno hotel que já existia há um bom tempo a duas quadras de distância de onde moro. Pensei que, apesar de pequeno, tivesse pelo menos o mínimo de recursos. Nem isso. Recentemente, passei de frente a ele e um fato nada me surpreendeu: a fachada tinha sido toda desmontada, as janelas estavam fechadas com madeira e a porta e sua grade, trancadas no cadeado. Havia finalmente fechado as portas.
Coitadinha da pequena empresa…
Um resultado assim é de se esperar. Uma empresa que simplesmente ignora a evolução de seu setor, achando que está a fazer um favor aos seus clientes quando abre suas portas é retrógrada, prepotente e burra. Tende ao fracasso aos poucos, “empurrando com a barriga” todos os problemas que vão aparecendo. Então, começa a faltar dinheiro no caixa, os clientes reclamam persistentemente e a estrutura vai ficando desbotada e caida. As dívidas sobem, as vendas descem, até que a empresa entra em colapso. Quebra na emenda, como dizemos aqui em Pernambuco. O pior de tudo: os gestores dessas empresas ainda colocam a culpa nos clientes, na crise e no governo, e tornam a repetir os mesmos erros quando têm a oportunidade de começar do zero. Entram para a famosa estatística das empresas que fecham nos primeiros anos de atividade.
Como evitar isso?
É tudo uma questão de gestão. Algumas recomendações:
- Não ignore as facilidades da tecnologia: tem gente que pensa que computador morde ou é coisa do capeta. Um PC pode facilitar, dinamizar e otimizar muitas das tarefas do pequeno empresário. Se ele não tem intimidade nenhuma com informática, deve contratar uma pessoa que possa dar conta do recado. Garanto que é muito mais barato pagar dois salários para um atendente com conhecimento em informática que um salário apenas para um que confunde monitor com microondas e espanta os clientes pela sua falta de capacidade. Todo investimento em informática, quando bem empregado, traz muitos lucros;
- Não deixe de ouvir seus clientes: é uma coisa que vejo em muitos lugares. Alguns empreendedores acham sempre que o cliente reclama demais e sem razão. Isso porque eles constróem o negócio baseados em seus gostos pessoais, e não no que o cliente quer e o mercado pede. Quando houver queixas, o empresário deve ir a fundo nas soluções e garantir que o cliente sairá satisfeito, mesmo que a solução não tenha terminado o problema por completo. O cliente pode não ter razão sempre, mas sempre deve vir em primeiro lugar;
- Não deixe de se atualizar: se a tendência para os pequenos hotéis e pousadas é internet sem fio no quarto, o gestor deve instalar wireless nem que seja somente nos quartos mais caros. Se todos os concorrentes fazem reserva pelo site, ele deve montar um também. Além disso, deve-se pesquisar em fontes de informação da área, como revistas especializadas e sites, e frequentar eventos do ramo sempre que puder;
- Não se deixe abater: o primeiro inimigo do homem fracassado é ele mesmo. Nos tempos de vacas magras, a primeira luta deve ser contra o desânimo e pessimismo que abate o gestor nesse momento. Levantar a cabeça, sacudir a poeira e dar a volta por cima é o que se deve fazer. Uma amiga minha dizia que “tudo acaba bem; se nada está bem é porque ainda não acabou”.
Mais alguma sugestão sobre como evitar a falência da pequena empresa? Então comente que atualizarei o artigo com sua sugestão!


















“O pior de tudo: os gestores dessas empresas ainda colocam a culpa nos clientes, na crise e no governo” – Essa parte me fez rir….e como é comum isso Kkkkkkkkkkkk…..
A falta de tecnologia surpreende…Sou músico e tenho meu site que fiz sozinho (não levei muitas horas), só paguei o domínio R$ 30,00 – http://www.flautistaeverton.com.br – Portanto, a menos que seja uma empresa que não tenha 30 reais em caixa (isso existe?), não imagino que PELO MENOS um blog, um Twitter, um Facebook, a empresa pode ter…Um sistema de atendimento Online pode ser fácil e gratuitamente instalado em qualquer site (já expliquei como no meu blog Pandemia Digital). Apontei aqui algumas soluções grátis, que podem ser feitas pela própria pessoa…Mas para a empresa, é bom investir pôr a mão no bolso e comprar serviços e tecnologias melhores…mas de início (só para não ficar totalmente alheio ao mundo virtual) algumas soluções grátis ajudariam….E MUITO!
É, meu caro.
Investir em tecnologia básica, como computador, internet rápida, interação com mídias sociais e organização e tratamento de dados de clientes não custa tanto quanto parece e traz benefícios que permitem a perenidade no negócio.
Abraços!
[...] This post was mentioned on Twitter by Francis Rosário, Everton N. Siqueira, Everton N. Siqueira, Fabricio Soares, Helder, Teixeira and others. Helder, Teixeira said: RT http://www.pontomarketing.com – @pontomarketing – Nota de falecimento: morre mais uma pequena empresa http://bit.ly/cfwdFd [...]