Espetacularização da TV: sob alguns prismas

Por Tamyris Torres

O texto de estreia desta série fala sobre a TV e a sua pretensa solidariedade. Nos acostumamos a ver muitas campanhas, que envolvem artistas famosos, com o intuito de ajudar o próximo. Não é de hoje que a Hebe Camargo empresta a sua imagem para o Teleton e tampouco foi ontem que o Didi começou a dividir sua conta bancária sua nobreza de espírito ajudando uma criança a ter esperança…

Nos permitimos ver vários vídeos de pessoas carentes, infelizes, miseráveis, sem nenhuma ou escassa perspectiva de vida… Pensamos sobre aquilo durante os minutos em que o mesmo vídeo insiste em entrar em nossas casas por um receptor de imagens de plasma qualquer. Ficamos extremamente tocados, ligamos e decidimos ajudar. Ora, damos dinheiro ao rico para ajudar ao pobre. Então a lógica seria esta: o rico, que é rico, pede dinheiro ao pobre – que tem cartão de crédito para comprar uma TV de plasma – para que enfim este possa doar ao pobre que nem uma cama tem para dormir às noites. Hum, entendi.

Por que que o ser humano tem mania de ver duas estradas no caminho, uma reta e outra cheia de curvas e acaba pegando a curvilínea?

A TV tem esse poder sobre a gente. Choramos, ficamos felizes, encontramos coisas em comum com um personagem, ficamos solidários com a dor do outro e nos vemos obrigados a ajudar. Mas, por que mesmo? Ah, sim. Porque passou na TV.

Uma coisa que me deixa extremamente chateada é o Natal Sem Fome. É, pois não faz diferença passar fome no Carnaval, nos feriados, nas férias, mas no Natal isso não pode acontecer!

“As tecnologias são meios de traduzir uma espécie de conhecimento para outra, (…) O que chamamos de ‘mecanização’ é uma tradução da natureza, e de nossas próprias naturezas, para formas ampliadas e especializadas. (…) A palavra falada foi a primeira tecnologia pela qual o homem pôde desvincular-se de seu ambiente para retomá-lo de novo modo. As palavras são uma espécie de recuperação da informação que pode abranger, a alta velocidade, a totalidade do ambiente e da experiência. As palavras são sistemas complexos de metáforas e símbolos que traduzem a experiência para os nossos sentidos manifestos ou exteriorizados. Elas constituem uma experiência sensória imediata em símbolos vocais, a totalidade do mundo pode ser evocada e recuperada, a qualquer momento” (Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem, de Marshall Mcluhan).

Agora imaginem essas palavras apoiadas em imagens e ditas por figuras conhecidas e de alguma forma “amadas” na sociedade? E ainda tem gente que não acredita no poder do marketing.

Este é o primeiro texto da série sobre a espetacularização da TV. Acompanhe os próximos artigos nas semanas que sucederão.

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Sobre Tamyris Torres

Jornalista, Webwriter, Redatora, Analista de Mídias Sociais, cobriu o Pan-Americano de Guadalajara 2011, é apaixonada por esportes, colunista dos blogs Mídia8 e Mídia Boom.

2 comentários

  1. [...] na sociedade? E ainda tem gente que não acredita no poder do marketing. Veja o original em: http://www.pontomarketing.com/comunicacao/espetacularizacao-da-tv-sob-alguns-prismas/#ixzz1FSkh2Pwz ou nos siga no Twitter: @pontomarketing Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial [...]

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