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Corrente de Whatsapp: Entrevista com Sérgio Moro é falsa

Entrevista falsa com Sérgio MoroVocê provavelmente deve ter recebido via Whatsapp uma mensagem gigantesca que dizia que o juiz Sérgio Moro, famoso por ser responsável por muitos dos processos da operação Lavajato, que seria uma suposta entrevista onde o mesmo informava ao Correio da Manhã, sob clima de muita tensão, que possuía provas suficientes para prender o ex-presidente Lula da Silva. Segue abaixo o texto que também recebi:

FONTE: CORREIO DA MANHÃ

O Juiz Federal Sergio Moro, da Vara Federal do Paraná, concedeu gentilmente esta entrevista na manhã deste sábado, dia 24/01/16. Há mais de um ano venho tentando entrevistar o homem que está salvando o país da corrupção. Após ser revistado pelos seguranças, e passar no detector de metais da portaria do prédio, subo acompanhado até o 12º andar. Lá, sou novamente revistado. O doutor juiz me espera em uma sala com um gravador, costume seu em todas as entrevistas. Ele parece apreensivo.
“Estou jurado de morte” diz, logo após iniciar a conversa. Ele agita a perna direita numa rapidez angustiante. Lança olhares frequentes em direção à janela, como se alguém pudesse escalar até a janela.
“Pode escrever aí: irei prender o Lula. Já tenho todas as provas documentais reunidas, é um material robusto de 14 mil páginas. Não há escapatória para Lula e sua família. Como juiz, serei obrigado a pedir sua prisão. Porém, isso causará uma comoção nacional devido ao fato de ser um presidente ainda querido por certa parcela da população. Assim, precisarei de muito apoio popular. É preciso que as pessoas se reúnam e manifestam apoio ao Estado Democrático de Direito. Ninguém está acima da lei.”
Após engolir um café, o doutor Moro continua entusiasmado.
“Hoje nós temos a internet como importante meio de manifestação, o Facebook em especial. As postagens na rede são um bom termômetro da vontade popular. É preciso que milhares, milhões de pessoas peçam a prisão do Lula para ela efetivamente se concretize. Isso pode ser feito pela internet. Precisamos de uma postagem que atinja a marca de um milhão de compartilhamentos para ganharmos força e legitimidade.”
O celular toca, e o juiz atende. É sua esposa, que está assustada. Ela acha que pode estar sendo seguida por uma moto. O juiz ordena que ela não saia do carro e lembra que é um carro blindado e com GPS. A entrevista acaba e sou dispensado. Os seguranças me acompanham. Assim despeço–me deste grande homem, que irá mudar o Brasil.

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PESSOAL, EM NOME DA DECÊNCIA, VAMOS COMPARTILHAR ESTA POSTAGEM ATÉ CHEGAR A MARCA DE 1 MILHÃO DE COMPARTILHAMENTOS!!!!

SÓ ASSIM IREMOS CONSEGUIR A PRISÃO DO LULA, COMO EXPLICOU O JUIZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

REPASSEM!!

COMPARTILHEM!!

A entrevista é completamente falsa e o próprio Correio da Manhã e a Justiça Federal do Paraná desmentiram.

A mensagem na verdade foi publicada originalmente na página do Facebook Que absurdo, estou revoltado. Trata-se de uma comunidade onde são publicadas matérias sem qualquer credibilidade, porém que sempre são creditadas a jornais sérios, para que consigam enganar os leitores.

O intuito deste post não é falar sobre a fonte de escrotice que é essa comunidade. O que eu quero falar aqui é sobre o poder que a comunicação digital nos dá e como muita gente joga esse poder no lixo.

O Facebook permite que possamos nos expressar livremente, mas ter liberdade de expressão não significa que possamos falar o que vier na nossa cabeça sem qualquer responsabilidade. Tudo que dizemos, seja no meio físico, seja no digital, é de nossa responsabilidade. Se passamos alguma mensagem útil, que de alguma forma ajuda os outros, claro que podemos nos vangloriar disso. E se espalhamos notícias falsas sobre quem quer que seja, também podemos receber processos por calúnia e difamação. Acontece que ainda existem usuários que acham que a internet é terra de ninguém, sem leis, sem ordem e sem consequências negativas (para eles).

Outra vertente do mesmo desperdício do poder da comunicação digital são os que propagam textos, sejam matérias fake, alertas amedrontadores, fotos de alguém que dizem ser um criminoso ou imagens de alguma nova superdoença que está a caminho. Se esses indivíduos lessem o que recebem e repensassem sobre o que leram concluiriam que 95% desse material é completamente inútil. Mas boa parte do público de hoje não lê nada na íntegra ou lê tão rapidamente que não entende o assunto nem percebe erros que denunciam que aquilo não tem credibilidade. É interessante: atualmente temos livrarias cheias, várias séries de livros que vão desde aventuras mágicas para crianças, romances para adolescentes e pornografia para pessoas sexualmente frustradas, mas mesmo assim temos péssimos leitores.

E quem lê errado escreve errado. Antigamente eu recebia emails com textos claros e diretos, identificando o remetente, o assunto, um cumprimento e os dados para contato. Atualmente muitos dos emails que recebo são uma linha de texto, como se a pessoa estivesse enviando um tweet. Eu sou “das antigas” e isso pra mim mostra falta, de educação e de habilidade na escrita.

Então as pessoas que não leem direito ou não entendem claramente o que leram saem compartilhando tais falácias. O que provavelmente não sabem é que quem compartilha algo que podem ser calunioso para alguma pessoa física ou jurídica pode ser considerado como participante na calúnia. Ou seja, além de encher o saco dos outros, podem tomar um processinho nas costas.

O post está bem maior que o normal (espero que quem leu tenha entendido), então o resumo é:

  1. Não acredite piamente em tudo que lê, especialmente quando se trata de alguém atacando alguém. Reflita sobre. No caso desse texto ridículo da falsa notícia, pense: Quem é o suposto repórter da matéria? Quando foi que compartilhamento passou a valer como instrumento jurídico?
  2. Na dúvida sobre a veracidade do texto, não compartilhe.

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

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