Educação: estamos preparados para a evolução tecnológica?

Por Gabriel Galvão

Prometi  a mim mesmo que não ia falar de política nessa época, mas não teve jeito.

As escolas públicas de Pernambuco não são as melhores do Brasil. Existem algumas onde o trabalho da diretoria e dos professores é uma feliz excessão. Nas demais, a qualidade não é a desejada e em muitas o vandalismo impera. Teve casos onde os desgraçados invadiram a instituição para destruir todo estoque de merenda das crianças. Detalhe: eram alunos da própria escola. Mesmo com esse cenário, um candidato a governador prometeu dar leitores de e-books para todos os alunos das escolas públicas. A pergunta é: estamos preparados para isso?

O lado bom

A proposta não é de todo ruim. O que enxergo de bom nessa atitude:

  • Os leitores proporcionariam o download de um monte de livros interessantes, o que poderia estimular bastante nos alunos o gosto pela leitura;
  • O download dos livros poderia economizar rios de dinheiro aos cofres do estado em licitações com editoras;
  • O uso da tecnologia acostumaria os alunos que não têm fácil acesso a tais recursos a os utilizarem e, consequentemente, ao começar no mercado de trabalho, já não estranhariam o manejo de aparelhos desse tipo.

O lado ruim

A pergunta ainda está no ar: estamos preparados para ações tão modernas quanto essa proposta do candidato?

Sem querer ser chato, mas já sendo, acredito que o nível de instrução encontrado nas escolas públicas pernambucanas ainda não permite darmos um passo desse tamanho, que seria maior que nossas pernas. Ao meu ver, é, no momento, uma proposta utópica pelos seguintes fatores:

  • Se nossas escolas são assaltadas por delinquentes para que sejam roubados computadores antiquíssimos, imagine quando os bandidos soubessem que um novo carregamento de leitores de e-books estaria chegando;
  • Se os próprios alunos pixam, depredam e estragam de toda forma os equipamentos das escolas onde eles mesmos “estudam”, o que dizer de um aparelho frágil daqueles?
  • Se existem “estudantes” que recebem de bolsas de incentivo para continuarem estudando e usam o dinheiro para comprar maconha, armas para cometer delitos, cachaça ou ingressos para festivais musicais onde mais se vê prostituição que música, o leitor de e-books serviria como moeda de troca?

Ainda existem outros pontos negativos que pesam contra a proposta do candidato. A intenção dele é boa e ao mesmo tempo ilusória. Sendo ele um político que já passou pelo governo do estado em ocasiões anteriores, ele sabe que os problemas encontrados nas escolas de Pernambuco não serão resolvidos com um salto para o futuro desse porte. Sem presente, não teremos futuros. Com escolas mal estruturadas, migrar para recursos muito sofisticados é utopia.

O pior é que ele sabe que está inventando história e acha que o eleitor vai cair nessa…

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

3 comentários

  1. Gabriel, em Goiânia, os dois principais candidatos a governador prometeram netbooks aos alunos das escolas de rede pública. Porém, como citou, esta ação tem muitos benefícios, mas antes de investir na ‘educação digital’, os administradores públicos deveriam investir em professor, estrutura física, livros…

    • Juliana,

      Tens razão: não adianta construir um segundo andar numa casa sabendo que o primeiro ainda está inacabado; não adianta dar saltos tecnológicos tão grandes, sabendo que os fatores básicos ainda precisam ser melhorados.

      Abraços!

  2. Hélcio Leão disse: - Responder

    Eles têm é que prometer mais investimento em educação e não em modernidade ilusória.O maior exemplo que sempre cito é o Japão, que é hoje é assim pelo fato de ter sido investido um dinheiro exorbitante em educação.Só assim um país prosperará !!

    @helcio84

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