Gestão de Conceito no Mundo 2.0 – Parte 1

Por Tiago Veloso

Quando recebi o simpático convite do Gabriel para escrever um artigo aqui no Ponto Marketing, falando de coerência no Mundo 2.0, aceitei prontamente, tanto por ser um tema com o qual lido diariamente, como pelo fato de eu, por natureza, já ser meio perfeccionista.

Por isso, a primeira ideia que me veio à cabeça foi a de fazer um daqueles ultra-mega-hiper posts matadores, tipo “As 10 Regras de Ouro para o Posicionamento Ideal nas Mídias Digitais”, ou então “O que não fazer para ser um ninja 2.0” – enfim, um daqueles posts que diariamente vemos brotar pela internet, e que, mesmo tendo a sua utilidade, acabam por dizer mais ou menos a mesma coisa, sem acrescentar muito ao nosso entendimento sobre a aplicação prática das Mídias Sociais no contexto empresarial.

Não me levem a mal, eu mesmo acabo escrevendo, ocasionalmente, esse tipo de post nos vários blogs nos quais me aturam colaboro. Mas resolvi aproveitar essa brecha que me foi dada aqui para falar de algo que está intimamente ligado à realidade corporativa da maioria das empresas – mesmo que não saibam disso: a Gestão de Conceito.

De certeza que este será um post longo demais (mais uma regra de ouro da blogosfera quebrada), mas o assunto não dá para ser traduzido em meias palavras, e por isso vamos dividir em suas partes.

Então, vamos lá: o que é esse negócio de Gestão de Conceito para empresas?

Para entendermos, vou recorrer a uma analogia que pressupõe que qualquer empresa é como um ser humano, nas suas mais variadas dimensões: corpo, alma e mente (não, não vou entrar no mérito de uma discussão Criacionista vs Darwinista, please, acompanhem o raciocínio e entendam como uma analogia).

Assim sendo, podemos dizer que, para uma empresa, as suas células são as pessoas que nela trabalham, a receita é o seu alimento, e os custos… Bem, usem a imaginação. E, seguindo essa lógica, podemos dizer também que se a empresa “come” muito e não se exercita, ela não será saudável. Esse exercício é o Investimento.

Finalmente, na questão das três dimensões que mencionei anteriormente, o corpo dessa empresa é a sua Qualidade, a alma é a sua Imagem, e para a razão vamos utilizar o termo Conceito.

Para se definir o que é Qualidade existe um sem número de fontes e metodologias que vão da Gestão da Qualidade Total (TQM) até aos Six Sigma. Particularmente – uma das minhas favoritas vem de Armand Feigenbaun, co-formulador da TQM no Japão: Qualidade é o que o cliente diz que é (polêmico…).

Christian Grönroos, por sua vez, evoluiu para um conceito de Qualidade Total Percebida, que nada mais é do que a diferença entre a expectativa do cliente em relação ao produto/serviço da empresa e aquilo que ele realmente experimenta (soa familiar, usuários das operadoras de celular?). Seria algo mais ou menos assim:

Em termos de Imagem e Conceito, aí do lado está o meu entendimento das diferenças entre os dois:

Ora, como em qualquer ser humano equilibrado, é necessário exercitar de forma continua estas facetas da nossa existência – é preciso investir. O que habitualmente encontramos nas empresas é uma preocupação em manter o seu corpo e a sua alma em boas condições, mas infelizmente ainda sem usar muito a razão.

E a razão é tudo. Se por um lado, a Qualidade dita o que fazer e como, e a Imagem transmite essa ideia ao Mercado, é o Conceito que determina o porquê de tudo isso.

Na segunda parte deste artigo, falaremos então de como Qualidade, Imagem e Conceito se relacionam entre si, e de como tudo isso tem a ver com o atual cenário de Comunicação Digital.

Enquanto isso, vá-se interrogando: Porquê? Porquê eu trabalho desta forma; porquê o meu cliente nunca está satisfeito; porquê o meu funcionário me odeia; porquê eu estou no Twitter; Porquê, porquê, porquê…

Tiago Veloso é Consultor Empresarial com ênfase em Marketing e Branding Digital, criador do projeto Visual Loop e colaborador em diversos blogs internacionais.

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

1 comentário

  1. [...] termos abordado na primeira deste artigo o que é Qualidade, Imagem e Conceito, e como eles se enquadram na analogia da empresa como um ser [...]

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