Gestão de microempresas: o caso das coxinhas voadoras
Viver no Recife tem seu lado curioso e que rende até tema para artigo. Estava indo ao trabalho quando vi uma cena cômica, se antes não fosse trágica.
Lá vai o motoqueiro com uma mulher na garupa e no bagageiro, três recipientes cheios de coxinhas de galinha semiprontas, provavelmente para entrega. Dos recipientes, um era uma pequena caixa de papelão, no meio havia um pote plástico e no topo outra caixa de papelão, menor um pouco que a primeira. Por conta dos diferentes formatos, estavam mal encaixadas e foram presas ao bagageiro com aqueles prendedores de elástico. Resultado dessa lambança: após passar por mim, antes de pegar a rua transversa, o solavanco da moto fez as caixas de cima e do meio voarem longe. O pote estava bem fechado e por isso protegeu o material, mas a caixa de papel facilmente se abriu, esparramando coxinhas pelo chão. Um pecado, pois adoro coxinha e também por ter sido perdida boa parte do trabalho do fabricante. O mais chocante foi o que a mulher que acompanhava o motoqueiro, que deveria ter cuidado do produto, disse:
“- Poxa… Já é a segunda vez que isso acontece essa semana…”
Balancei a cabeça em sinal de reprovação pela falta de cuidado da dupla.
Pequenas empresas, grandes tragédias
Infelizmente, o caso ocorrido não é fato raro. Entre muitas micro e pequenas empresas existe uma espécie de “cultura do desleixo“. Parece que é obrigatório que as coisas sejam feitas pela metade ou “de qualquer jeito” nesses empreendimentos. A tragédia das coxinhas voadoras não precisava de um especialista em gestão de processos ou um engenheiro de produção para ser evitado. Bastaria que fosse usada a lógica e que os dois tivessem o mínimo de atenção ao cliente e ao próprio negócio. Se dá tanto trabalho produzir um cento de coxinhas, porque não colocá-las bem acondicionadas, seguras de “acidentes” como o que ocorreu? Por que não prevenir ao invés de simplesmente ficar lamentando as coxinhas rolando no asfalto?
Postura profissional
Já disse e repetirei quantas vezes for conveniente: não é pelo fato de ser uma empresa de pequeno porte que os funcionários, juntamente com os gestores, devem se portar com se a mesma nunca fosse sair da informalidade e do fundo do quintal. Um comportamento padronizado e profissional não é caro, não dói, não é pecado e nem é crime. Pelo contrário, é um investimento vital para que casos como o mencionado acima, que, apesar de não parecer de grande perda, para o pequeno empreendedor é um soco no estômago misturado com a frustração da perda do cliente e do retrabalho desnecessário.
Certo, mas como evitar?
Medidas simples, quando bem aplicadas, trazem muitos benefícios para a gestão das MPEs:
- Atenção na gestão da empresa: por menor que seja a empresa, cuidar dela exige dedicação e profissionalismo. O mercado não perdoa quem não entrega qualidade ao consumidor. Quem insiste em ser amador tem que se contentar com os restos. Para fugir disso, existem muitos cursos de gestão de curta duração que podem ser encontrados em faculdades (cursos de extensão), no Senac e em instituições de cursos técnicos. Livros e vídeos sobre o assunto também ajudam no aprendizado;
- Organização dos processos: usando a lógica, pode-se facilmente organizar as tarefas dentro da empresa e padronizar processos, a fim de que os resultados sejam sempre os melhores e situações bobas como a das coxinhas sejam raras. Quanto mais engrenado estiver o processo de produção ou de prestação, melhor;
- Cuidado com o financeiro: gastos supérfluos ou sem controle fazem o dinheiro escoar pelas canaletas sem que o empresário perceba, só se dando conta quando a situação já está crítica e de difícil reversão. Coloque todas as contas da empresa numa planilha e monitore-as frequentemente. Se desejar, pode contratar os serviços de um escritório contábil para cuidar do seu dinheiro. Mas mesmo se contratar, acompanhe sempre a evolução dos custos e lucros.
No mundo dos micronegócios, é comum vermos informalidade e amadorismo. Então, quem quer se destacar deve se portar com uma verdadeira organização, aliando eficiência, profissionalismo e muito trabalho duro!
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Tags: Gestão, Micro empresa, profissionalismo

























“- Poxa… Já é a segunda vez que isso acontece essa semana…”
Muito profissionalismo!! rsrs
É verdade, Roberto! Algumas pessoas acham que, por conta do tamanho da empresa, profissionalismo não é algo importante. Na verdade, uma postura profissional deve acontecer em toda empresa, seja micro ou gigante.
Abraços e obrigado pelo comentário!
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