Mercado: um novo olhar para as classes populares
Desvendar o mundo das classes populares continua sendo, para nós, uma descoberta a cada dia. Mesmo depois do boom dos últimos oito anos, quando milhões de brasileiros entraram de vez no mercado consumidor, ainda há muita coisa acontecendo por trás dos nossos computadores, fora dos nossos escritórios. Lá fora, o novo exército de consumidores, que pensa e interage de forma muito peculiar em sua comunidade imprime, de forma definitiva, um novo ritmo ao mercado de consumo do país.
O desafio continua sendo educar o olhar para buscar, nas classes populares, o que tem de mais genuíno. Para descobrir particularidades únicas e até pitorescas como, por exemplo, que o cheiro é um fator fundamental na definição da qualidade dos produtos, que a solidariedade, outro fator muito evidente na realidade desse grupo, está presente nos mais diversos aspectos da vida cotidiana. Comprar artigos em promoção nas lojas para os vizinhos, por exemplo, é algo muito comum no público de baixa renda. Todos se ajudam, pois sabem que podem contar uns com os outros, sempre.
Cada vez mais é preciso pensar em uma “cultura” de consumo da baixa renda. E o que exatamente é isso?
A baixa renda compra diferente. Quer artigos diferentes, aspira por produtos diferentes. Que falem a sua língua e que atuem como uma espécie de “inclusores” sociais, ou seja, que deem a este consumidor um reconhecimento dentro da comunidade na qual ele está inserido.
Para esse público, internet ainda não é lugar de comprar, mas de se encontrar e se relacionar. Comprar no comércio de rua é a preferência, os shoppings ainda parecem distantes. Ao contrário do que parece, a Classe C não gosta de dívidas, compra a prazo porque é a única opção, em muitos casos.
Imóveis, educação, saúde, turismo. Esses são os serviços que agora fazem brilhar os olhos da Classe C. Depois de passar a acessar itens básicos na 1ª onda de crescimento, como melhoria da cesta de alimentação, eletrônicos e eletrodomésticos, agora as classes populares olham mais longe. Esse consumidor quer aprender, se divertir, finalmente adquirir a casa própria e viver mais e melhor.
O mercado se movimenta, cria produtos, pacotes, tudo para mostrar que o que parecia impossível, agora está ao alcance das mãos. Mas, tudo ainda parece requentado, não criado para esse público, uma adaptação do que as Classes A e B têm como aspiração. Mas esse não é o caminho.
As classes populares querem ser bem atendidas, querem lançamentos inovadores e soluções feitas sob medida para seus sonhos, referências e possibilidades. Há ainda um caminho a percorrer e ele passa, obrigatoriamente, pelos valores mais genuínos desse público, por suas aspirações mais secretas. E daí extrair os insights para a geração de uma oferta realmente apetitosa.
¹Juliana Nappo é Diretora de Diretora de Shopper Marketing da agência Ponto de Criação (São Paulo). Expressa a visão da autora com relação ao mercado da classe C.
Fonte da imagem: Gestão.Adv.Br








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