O que há de errado com o Shopping Paço Alfândega?

O Paço Alfândega nasceu com a promessa de ser o shopping center pernambucano mais luxuoso de todos. Conseguiu sustentar essa posição por alguns anos, mas agora o que se vê é o infeliz cenário de um estabelecimento que está definhando aos poucos.

Segundo a Wikipédia:

Shopping Paço Alfândega é um centro de compras da cidade do Recife, inaugurado em 2003. Tem ABL (área bruta locável) de 19.026 m² e 50.310m² de área construída. Apesar de inaugurado em 2003, sua construção data de 1732, inicialmente um convento e depois uma alfândega. Tem cerca de 80 lojas.

A arquitetura do shopping é inegavelmente bela e diferente de qualquer outra. A ideia de aproveitar um espaço com tantos anos de história foi ousada e ao mesmo tempo bem executada. Outro fator que deixa o ambiente mais lindo ainda é o fato de estar à beira do Rio Capibaribe. As fotos abaixo comprovam a beleza do local (sou um péssimo fotógrafo).

No auge do centro de compras, quando a maioria das lojas estavam ocupadas, era tudo muito bonito de se ver. As lojas mais caras se encontravam lá. Todas as festas que envolviam a alta sociedade recifense davam preferência ao mais novo estabelecimento de luxo da cidade. O lugar chegava até a intimidar quem não se achava no mesmo patamar de seu público-alvo. Belos tempos aqueles…

O Paço Alfândega hoje

Atualmente, a realidade é outra. Fui até o shopping para conferir e confirmei.

A quantidade de lojas fechadas é impressionante. Contei todas as lojas que pude e separei as que estavam funcionando. Apesar dos dados da Wikipédia dizerem que existem 80 lojas no Paço, consegui contar 67 espaços. Creio que isso se deu por conta do 1º andar estar somente com a metade do ambiente funcionando (não sei o que houve com a outra metade, só sei que está interditada). Das lojas contadas, apenas 34 delas estão ativas, o que equivale a exatos 50,74%, metade de todas as lojas contadas. Se considerarmos as 80, esse número cai ainda mais. Vale ressaltar que, das lojas ativas, uma funciona como correspondente bancário e outra é para atendimento ao turista que visita o Recife Antigo, ou seja, não contam como atrativos para os visitantes.

E os atrativos?

Beleza apenas não conta para atrair os clientes para um shopping. O mesmo deve oferecer comodidade, praticidade, segurança e, de preferência, lojas âncoras, que são aquelas lojas que conseguem atrair pessoas para si e depois conduzi-las para o centro de compras. O único atrativo, que pode-se talvez imaginar como âncora, é a Livraria Cultura, que fica ao lado, não dentro nem colada com o shopping. Tem gente que vai sim até a livraria e depois dá uma passadinha no Paço para andar um pouco. Mas, de que adianta ter uma big livraria que atrairia possíveis clientes se não existe nada de interessante para ver no shopping?

O 4º andar, que poderia muito bem ser a menina dos olhos do local, serve somente de mirante para a bela paisagem do Recife velho e cansado de guerra. Como podem ver pela foto, existe um espaço sem qualquer aproveitamento. Imaginei umas mesas onde as pessoas poderiam fazer uma refeição tranquilo ou tomar um café enquanto olham os catamarãs passarem no rio. Pena que a administração não tem o mesmo pensamento. Não no sentido de colocar ali um restaurante ou uma cafeteria, já que quem faria isso seriam os locatários do espaço, mas no de ir atrás e incentivar a volta dos empreendedores para aquele local.

Por falar em administração…

Antes de ir até o shopping para fazer este relato, mandei um e-mail para o endereço que consta no site do Paço. Ninguém respondeu. Liguei para o número que tem lá e a atendente me pediu para reenviar o e-mail para outro endereço. Fiz isso e, dias depois, nada de resposta. Perderam a oportunidade de tentar levantar a imagem do shopping por meio deste artigo.

Falta de atrativos, falta de incentivos para os lojistas e uma insistente vontade de querer manter uma pose de aristocrata fazem do Paço Alfândega um centro de compras sem graça, caro demais pelo que apresenta e, se não houver melhoria na administração ou um milagre, fadado ao fechamento.

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

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