Os descaminhos da “ilusão do crescimento”

Por Denis Mello¹

Em recente encontro com executivos, tive a oportunidade de assistir a uma cena que há poucos anos parecia inviável para a maioria das empresas: a comemoração alegre e confiante de um quadro de crescimento sem precedentes.

Entusiasmados, membros da diretoria festejavam os números animadores: haviam crescido 7% em 2009 e para este exercício a projeção já chegava a 8%. O desempenho, creditado a ajustes internos, mostrava, segundo os executivos, que enfim a empresa havia encontrado o caminho certo para atingir a liderança de mercado em seu segmento nos próximos cinco anos.

Retornando ao escritório, encontrei sobre minha mesa a última edição de uma revista econômica e, ao abri-la, constatei que as celebrações de horas atrás careciam de sentido. Em artigo baseado em pesquisa idônea, a publicação trazia o seguinte panorama: o setor da empresa em questão havia crescido 13% em 2009, com projeção de 15% em 2010.

Diante de tais dados estatísticos, me veio uma certeza: os negócios da “empresa emergente” estavam “andando de lado”. Afinal, seus resultados ficaram aquém da evolução do mercado, dos concorrentes, e seus dirigentes estavam certos que haviam “feito a lição de casa”. Mas então por que tanto entusiasmo? Por que acreditar que achou a saída para o sucesso e agora apenas restava brindar o descobrimento do “caminho das pedras”?

A meu ver, as respostas a esses questionamentos estão na “ilusão do crescimento”. Um fenômeno característico da época em que vivemos, capaz de ocultar deficiências e problemas que certamente vão se evidenciar quando o crescimento da economia entrar em processo de estabilização. Isso, é claro, para as empresas que não estiverem cientes de que “a prosperidade é apenas um instrumento para ser usado, não uma divindade para ser adorada”, como bem definiu Francis Bacon.

Observo que hoje, no ciclo da prosperidade, quando o país cresce a índices elevados, muitas empresas ainda seguem a cultura do período da gestão das contingências, dos ciclos contínuos de crises econômicas. Ou seja, o método continua sendo a administração de curto prazo, a cultura do imediatismo. Administram na retranca, enquanto deveriam aproveitar o bom momento para desenvolver estratégias mais ousadas, criativas e de longo prazo.

Vivemos uma fase que exige e proporciona a prática de uma nova cultura que contemple o networking, os relacionamentos intensivos, o compartilhamento de informações, o investimento em conhecimento da linha gerencial.

Lembrando o escritor inglês Aldous Huxley, “o degrau da escada não foi inventado para repousar, mas apenas para sustentar o pé o tempo necessário para que coloquemos o outro pé um pouco mais alto”.

Então, aproveitemos esse novo “degrau” alçado pela economia nacional para recriarmos o universo cultural empresarial, adotando um modelo que propicie um real desenvolvimento sustentável.

Sugestão da Fernanda Godoy. Fonte: FBDE | NEXION.

¹Denis Mello, diretor-presidente do FBDE | NEXION Consulting – www.fbde.com.br – Consultores e Auditores em Marketing, Vendas e Gestão Empresarial. E-mail: diretoria@fbde.com.br. Siga: www.twitter.com/fbdenexion.

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

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