A internet nos dá preguiça de pensar?

Por Gabriel Galvão

Num programa de entrevistas, vi um especialista dizer que a Internet nos faz pensar menos. A facilidade de encontrar respostas para todas nossas perguntas em poucos cliques estaria fazendo o homem moderno menos crítico, menos construtor de conhecimento e mais dependente de opinião dos gurus, dos líderes. Isso seria verdade?

Se as pessoas estão realmente raciocinando menos por esse fato é algo a se pesquisar. Mas essa afirmativa vale a pena ser investigada. Tenho encontrado cada vez mais amigos que, em vez de pesquisarem em fontes seguras (e a Internet se encaixa nisso, mas não em todos os casos) e criarem pensamento crítico com base nessa pesquisa, estão perguntando apenas ao Sr. Google o que ele acha sobre isso ou aquilo e recebendo respostas padronizadas e genéricas. Nada de criar, basta copiar e colar a opinião de algum sábio daquela área de interesse. Isso me assusta: quanto mais ficarmos dependentes da opinião de uma ou duas unanimidades, a construção do conhecimento fica limitada e quase sem sair do lugar.

É sempre importante saber onde e como conseguir informações sobre determinado assunto e nunca ficar restrito a obedecer cegamente aos gurus. Eu mesmo, quando busco informação, procuro:

  • Usar as fontes mais confiáveis que conheço e confrontá-las;
  • Refletir sobre o resultado da pesquisa e tentar ir além dele;
  • Conversar sobre o assunto com algumas pessoas e respeitar sua opinião. Todos tem algo construtivo a dizer.

Raul Seixas já dizia que não queria ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Seguindo essa forma de encarar o mundo, limitar-se a aceitar tudo que o oráculo Google diz sem se dar a oportunidade de questionar é também limitar seu intelecto. Não é porque a Internet é um meio rápido para conseguir informação que essa é a única informação. Repito algo que já disse em outros artigos: existe vida inteligente fora da Internet.

Critique, expresse-se, faça muitas perguntas e não fique estáticos nas respostas. Só as pessoas que nada aprendem é que conseguem ficar dando exatamente as mesmas respostas para as mesmas perguntas todo tempo. Cada dia que vivemos nos acrescenta mais conhecimento e o acúmulo dele nos faz incrementar nossa opinião sobre um determinado assunto, ou mesmo passarmos a termos opiniões contrárias. Concluiram que quanto mais sabemos, mais temos a consciência de que ainda falta muito a saber. Sendo assim, pra quê se limitar?

E você, também acha que o homem já não é tão pensador quanto antes, preferindo que outros pensem por ele? Como você encara esse cenário? Deixe seu comentário!

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

7 comentários

  1. Gabriel, no meu caso é contrário, acho que nunca pesquisei tanto na minha vida para poder escrever os meus artigos em meu blog, além das pesquisas recebo muitos comentários a favor e contra os artigos, isto enriquece ainda mais o conteúdo. Tudo isto faz pensar, sendo assim eu não concordo que a internet dá preguiça de pensar. Pelo menos em nossos casos…Blogueiros.
    Abs,
    Alexandre Silva
    Se tiver um tempinho passa lá no meu blog.

    • Alexandre,

      A forma como você descreveu seu uso da Internet não se encaixa com o questionamento do texto. É por isso que não te dá “preguiça de pensar” e sim o contrário. Se você interage com as pessoas e aumenta seu conhecimento a cada dia, pode ficar tranquilo, você não pertence ao time dos que pesquisam para que outros pensem por eles.

      Grande abraço!

  2. Acho que quem não está ficando preguiçoso é exceção. Eu gosto de pesquisar livros, garimpar sites confiáveis, ir além da primeira página do Google, destrinchar o conteúdo (e verificar se a fonte é confiável, claro – mal de jornalista).
    Às vezes a preguiça é tanta que as pessoas nem pesquisam no Google, elas publicam uma pergunta no Yahoo Respostas, ou no Twitter e esperam a resposta vir a elas.
    Acho que falta senso crítico. Como você bem colocou, confrontar e refletir. As pessoas parecem tão passivas às informações que recebem…

    Ótimo texto! :D

  3. Eu vou junto do meu amigo Alexandre, com o advento da internet, a comunicação e a forma de adquirir conhecimento fico muito mais fácil, não precisamos ir até uma livraria comprar um certo livro e aprender sobre uma determinada coisa, na internet, pesquisamos sobre o que queremos e acabamos lendo outras dezenas de informações parecidas, assim ganhando muito mais conhecimento. Não podemos deixar de mencionar também, que isso vale para pessoas que usam a internet para esse propósito, mesmo eu sendo um adepto da frase “O conhecimento está em qualquer coisa, desde desenho a pornografia”

    @onmaker

  4. Eu e uns amigos meus na época do Ensino Médio éramos assim. Eu estudava em escola publica e com a internet fui ficando cada vez mais irresponsável com os meus estudos. Tem trabalho de Geografia sobre a Franca? Vou na Wikipédia e sites de pesquisa, misturo o conteúdo, copio e colo no Word, imprimo e entrego e ganho uma nota 7 ou 9, dependendo do professor. Já que na época poucos usavam o computador as vezes pelo salário. Parei de ler, quando tinha livros longos e chatos pegava o resumao da net copia e cola, decora e apresenta, ja tirei nota 6 por causa disso e ate vermelha, me enrolar nas perguntas feitas durante a explicação. Atualmente quando quero saber algo vou direto ao Yahoo Respostas e pronto. Sinto que fiquei mais burro. MSN, orkut e sites de humor estradaram minha vida tb. Digo, sim: A internet pode sim deixar a gente mais burro, igual eu. Vou precisar de terapia pq na frente do PC tenho fome de futilidades, e não consigo sair, ficando horas a fio. E tanta informação ao mesmo tempo que não sabemos por onde começar. Hoje em dia, evito usar o PC pq quando uso, fico as vezes quase uma tarde ou ate madrugada online. É uma ferramenta e ao mesmo tempo perigosa. O que fazer com excesso de conteúdo? Bem, é isso. Depois de tanto comentário “certinho” quis expressar minha opinião sobre o assunto. Evitem jogos online. Até!

  5. [...] passado questionamos se a internet está nos dando “preguiça de pensar”, de acordo com um estudo divulgado na época. Vários comentários surgiram mostrando opiniões [...]

  6. [...] passado questionamos se a internet está nos dando “preguiça de pensar”, de acordo com um estudo divulgado na época. Vários comentários surgiram mostrando opiniões [...]

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