Em terra de rede social, quem tem bom senso é rei!

Redes sociais, mídias sociais, Twitter, Facebook, marketing digital, agências de comunicação digital, métricas e mensuração e coisa e tal. Nunca antes se falou tanto sobre o fenômeno das ferramentas de relacionamento na Internet. Ao mesmo tempo, nunca se falou tanta besteira e achismo.

A cada dia, 10 ou 15 novos gurus das redes sociais surgem do nada. Após vasculharem em alguns blogs, já se acham aptos para serem intitulados Analistas de Mídias Sociais, oferecendo-se ao mercado como profissionais gabaritados a utilizar as redes sociais como ferramentas de marketing. Será que podemos confiar nesses indivíduos?

Bom senso, tanto de quem se oferece quanto de quem contrata

Basta vasculhar no Twitter e blogs: encontrará dezenas de pessoas que se dizem Analistas de Mídias Sociais. Ao mesmo tempo, cursos, palestras e seminários mil sobre redes sociais brotam do chão. Uns ministrados por especialistas reconhecidamente capazes; outros por uns caras dos quais nunca ouvi falar. Surge então outra dúvida: podemos confiar no que está sendo repassado ou é “mais do mesmo” sobre redes sociais, sem realmente o instrutor entender do caso?

Estou fazendo essas perguntas porque observei no Twitter, Facebook e outras redes sociais opiniões e “dicas” fuleiras de pessoas que com certeza não sabem do que estão falando. Dizem com uma propriedade de um estudante do primeiro ano de administração que desafia as palavras de Chiavenato, por exemplo. Estão começando a engatinhar e já querem se comparar a um Bolt da vida. Ainda têm muito a aprender, mas acham que já sabem tudo. E ai de você se contradizê-los: ficam com um ódio mortal de você, porque já adquiriram a arrogância do mais badalado analista de redes sociais.

Estudar para não falar besteira!

Creio que parte disso se deve ao fato do brasileiro não ser instruído desde pequeno a “aprender a aprender”, a ter a capacidade de adquirir conhecimento, trabalhá-lo, testá-lo, discuti-lo e só então disseminá-lo. Fazem justamente o contrário: pegam a primeira coisa que veem sobre redes sociais, adotam-na e pregam-na para todos que encontram. Dessa forma, a retransmissão de informação errada vira uma praga e pseudoespecialistas ganham destaque, enquanto os que realmente sabem do que falam são tidos como imbecis.

O que fazer, então?

Não sei ao certo. Posso dizer o que eu faço no meu caso:

  • Eu estudo: sempre que vejo algo relacionado às redes sociais, tento confrontá-lo com opiniões de outras pessoas. Também analiso, pratico e só então repasso, quando tenho certeza do impacto que aquela informação pode causar;
  • Eu desconfio: se vem alguém e me diz que no Twitter deve-se fazer isso ou aquilo, vou atrás de seu perfil e investigo a quantidade de seguidores, qualidade das postagens e perfil dos seguidos e seguidores também. Quando vejo que é um babaca que nem tem descrição na bio, desconsidero totalmente o que ele acabou de dizer;
  • Eu pesquiso: quando tenho alguma impressão ou afirmação sobre redes sociais, procuro ver se alguém já teve a mesma ideia. Comparo as visões, repenso o assunto e divulgo quando sei do que estou falando. Até agora, tudo que opinei sobre redes sociais já foi dito por alguém em outra oportunidade, mas pelo menos sei que o que falei não foi coisa inútil.

Tenho muitas impressões sobre as redes sociais, tanto sobre a situação atual quanto para onde elas estão caminhando e como aproveitar a onda. Nem por isso me digo Analista Não Sei Do Que Lá sem ter certeza do que estou falando. Posso não ter dinheiro no bolso, mas ainda tenho bom senso.

Sobre Gabriel Galvão

Administrador habilitado em marketing, consultor de marketing, desenvolvedor de sites e blogs, editor do blog e palestrante.

2 comentários

  1. Muito bom o artigo, Gabriel!
    É por essa falta de bom senso e disputa por visibilidade que, ao meu ver, é tão difícil as empresas compreenderem a seriedade de um trabalho com Mídias Sociais.
    Talvez por isso aqui em Porto Alegre, por exemplo, as vagas nessa área quase sempre sejam oferecidas para estagiários, como se “qualquer um” pudesse desenvolver essa atividade.
    ;)

    • Oi, Daniela!

      Você apontou uma coisa que infelizmente acontece frequentemente entre as empresas que querem “entrar” nas redes sociais, não se importando em realmente “estar” nas redes.

      Ao mesmo tempo, os estagiários podem dar conta do serviço, dependendo da demanda que a empresa tiver. Acho que o que mais interessa é contratar pessoas capacitadas para iniciar, gerir e melhorar relacionamentos, independente do seu grau de escolaridade. Logicamente, vejo nos RPs um exemplo de profissional amplamente qualificado para sanar a necessidade do mercado.

      Grande abraço e continue acompanhando o blog!

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