Internet: todo boato agora vai na velocidade da luz
No começo da tarde de hoje (05/05/11) recebi uma ligação desesperada da minha esposa querendo saber onde eu estava naquele momento. Respondi que estava em meu home office e ela me disse para não sair de casa, pois a Barragem de Tapacurá tinham transbordado por conta da água acumulada das fortes chuvas que ocorreram nos últimos dias. Ela ficou sabendo de não sei quem que as águas dos rios já estavam invadindo supermercados e shoppings, que tudo estava um caos e que possivelmente sairia bem mais tarde do trabalho. Tudo não passou de um boato que a aplacou, assim como a muitos recifenses.
Boatos sempre existiram e sempre existirão. A diferença entre como eles aconteciam antigamente e como ocorrem hoje é que a velocidade deles é incrivelmente maior atualmente. Se antes as pessoas saiam passando a notícia no boca a boca e via telefone, hoje basta alguém estar com um celular na mão para postar nas redes sociais algo que ouviu por alto, sem qualquer confirmação da veracidade da informação. A fofoca e o disse-que-me-disse que levavam muitas horas ou mesmo dias para contaminar muitas pessoas agora só precisam de um tweet, scrap, recado ou postagem de blog para atingir milhares de pessoas e sair numa bola de neve viral e perigosa.
Por conta de um boato a cidade do Recife enfrentou engarrafamentos (mais ainda) difíceis, transtornos de pessoas desesperadas para voltar para casa e prejuízo no comércio que se preveniu demais e encerrou o expediente com muita antecedência.
Todo mundo é repórter, do que existe e do que não existe
Tenho a impressão de que o fato de muitas das informações postadas em redes sociais não terem fundamento ou embasamento está fazendo com que as pessoas deixem de procurar por fontes mais sérias e passem a acreditar em tudo que é dito. Outra questão, a da construção da verdade, facilitada pelo alcance das redes sociais, aumenta as chances das pessoas levarem a sério todas as notícias. Nesse cenário, a mensagem falsa se espalha com facilidade para muita gente. Quem recebe o boato através de dezenas de amigos do Facebook, centenas de contatos no Twitter e até dos parentes via celular logo passa a crer na mensagem, pois tanta gente assim não poderia estar errada. A hashtag #Tapacura foi aos Trending Topics. Então, está feita a zona!
Confirmar é bom e eu gosto
Mais dia menos dia você vai se deparar com um batalhão de pessoas afirmando que um disco voador caiu em plena Assembléia Legislativa, que os Beatles voltaram a ser uma banda ou que Elvis está passando férias no Alasca. Antes de se desesperar:
- Verifique com pessoas de sua inteira confiança se elas estão sabendo da novidade;
- Ligue para as autoridades competentes se a coisa for grave;
- Ligue a TV ou acompanhe as informações por sites que tenham (pelo menos algum) compromisso com a verdade.
Quer saber mais informações sobre o alvoroço?








Outra dica: tenha um amigo jornalista!
Haha, é sério! é muito útil. A gente consegue algumas informações com mais facilidade. Além do mais, é nossa obrigação apurar. Aqui em Brasília, a Globo abriu o telejornal da hora do almoço falando que um caminhão tinha capotado na Ponte JK (cartão postal da cidade) e que afetou os aliecerces da ponte, ela poderia desabar! O trânsito tava interditado e tal. Comecei a ligar pros meus colegas e, cruzando as informações, logo vimos que a notícia era falsa. Foi um alvoroço nas redes sociais também.
Alguns colegas meus já me elegeram para desmentir aquelas correntes de email que falam de vírus, de lei nova que ninguém divulga, etc. Vou acrescentar no meu currículo: derrubo mitos, hehe.