O que os filósofos pensariam com tanto compartilhamento de informação?

Por Tamyris Torres

Se Nietzsche tivesse nascido em 1987 e tivesse hoje 23 anos, poderia ele ter sido considerado um grande pensador, que viveu a frente de seu tempo com tantas possibilidades de compartilhamento do que você está pensando agora?

Será mesmo que Karl Marx teria conseguido atingir grandes objetivos juntamente com Friedrich Engels? Ou Shakespeare teria sido tão romântico em seus textos e por isso ter se tornando um grande escritor?

As mídias sociais ajudariam esses caras ou trariam para eles uma responsabilidade a mais e muitos concorrentes?

Sim, muitos concorrentes, ou perdeu-se a fábrica de fazer grandes pensadores? O que acontece agora, em pleno século XXI, para muitos desses escritores não terem tanto destaque assim? Pode ser que essa globalização, no que tange a tantas formas de se obter novas informações segundo a segundo, teria por sua vez enterrado a utopia e a graciosidade dos tão venerados pensadores da antiguidade?

A tecnologia nos ajudou ou prejudicou?

Se somos muitos e estamos unificados pelo meio digital, com smartphones e Androids te ajudando a desabafar momentos ocorridos quando você está na rua ou quando você está com tempo livre no trabalho e aproveita para dar uma tuitada sobre o tempo, sobre um game novo ou um livro legal que você tenha comprado, não seria tanta oportunidade a causadora de menos chance para se fazer um trabalho vasto com literatura ou a criação da cultura de que ainda é preciso concretizamos e cuidarmos de futuros escritores e pensadores escondidos em nossa sociedade?

Teria o avanço tecnológico criado barreiras na criação, educação e envolvimento de jovens ao interesse em ser pensadores da atualidade? “Por supuesto”, meu caro, se você tem muitas fontes onde descarregar pensamentos aleatórios, quando é que você os organizaria e quem sabe os transformariam em textos, poemas, crônicas, contos e os compilaria de forma que você pudesse chegar até as pessoas que gostariam de te ler? Porque tirar para todos os lados do ciberespaço não é o caminho mais sensato a seguir…

Eu acredito que se perdeu a atração pelo que pensadores têm a dizer e o interesse dos leitores, por conseguinte. O fato é que se você tem muitas informações, metade delas você não lê e não presta atenção. Então, a questão é a seguinte: será que estamos perdendo grandes escritores que por ter tantas oportunidades, infelizmente não foram notados?

À primeira vista, vou até parecer um tanto quanto preconceituosa neste texto, mas faz sentido e é simples confirmar. A cada segundinho de tempo tem novas atualizações nos portais de notícias, no Twitter, no Facebook. Pergunte-se se ao menos você lê todas. É neste ponto que eu quero chegar. A tecnologia nos deu a caixa de ferramenta com todos os aparatos possíveis e inacreditáveis de difusão da informação, mas será que já aprendemos a administrá-la?

Entretanto, eu também creio que isso… só Freud explica!

Outra coisa pior está por medrar meus pensamentos…

Imagine-se num campo de guerra em que você recebe muitas informações de vários lugares diferentes. No mínimo você demora algumas horas para organizar isso até chegar numa linha de raciocínio eficaz contra o inimigo. Só que, infelizmente, essas informações não param de chegar, vem por carta, por telefonema, por código binário, por telegrama, seja o que for. Não tem para onde fugir e você chega num ponto em que não sabe o que fazer com tantas informações porque simplesmente não consegue chegar até o final.

É mais ou menos o que acontece com a nossa realidade. São tantas informações vindas de muitos lugares que você não consegue distinguir quais são aceitáveis e crédulas e, além disso, elas são atualizadas com tanta fugacidade que você fica transtornado e informado de absolutamente nada em profundidade. Estamos sendo alienados por informações superficiais que dizem pouco ou quase nada do que realmente importa para nós como seres pensantes: qualidade textual e de raciocínio crítico.

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Fonte da imagem: Filosofia 

Sobre Tamyris Torres

Jornalista, Webwriter, Redatora, Analista de Mídias Sociais, cobriu o Pan-Americano de Guadalajara 2011, é apaixonada por esportes, colunista dos blogs Mídia8 e Mídia Boom.

7 comentários

  1. Excelente reflexão de Tamyris Torres, que mostra o risco de nos transformarmos de “pensadores” em “reprodutores” de conteúdo e a importância de desenvolvermos a competência da “curadoria de conteúdos” para reunir, consolidar e permitir a reflexão sobre informações vindas de tantas fontes – muitas das quais se perdem no ciberespaço.

  2. Discordo eu muitos pontos, apesar de entender o ponto de vista da autora.

    Eu acredito que atualmente avançamos a passos largos por conta de uma democratização do conhecimento, que nos dá oportunidade de evoluir de maneira quantitativa e qualitativa para a sociedade num geral…
    Se faltam a alguns a figura do “Gênio”, a mim me enche de orgulho poder conversar de igual para igual com a maioria das pessoas – que hoje, com uma conexão de internet, podem recorrer a toda informação compartilhada, e assim ter condições para conversar, argumentar e desenvolver suas proprias ideias e convicções.
    Eu não trocaria uma criação tão fantástica quanto uma Wikipedia por mais um pensador Mitificado.

    À educação (não só formal) cabe a responsabilidade de fazer com que as pessoas pensem criticamente e saibam interpretar toda essa imensa quantidade de informação a que estamos expostos… Mas a divulgação do conhecimento tem de ser um caminho sem volta, a despeito do que digam os céticos ou conservadores.

    • Concordo contigo sobre a divulgação do conhecimento. Mas, existe uma linha muito tênue relacionada à isso. Por exemplo, de que adianta termos a divulgação do conhecimento, se este conhecimento estiver de alguma forma manipulado, alienado e seguindo padrões com os quais estamos acostumados a ver? De que adianta nos sentirmos melhor por ‘achar’ que estamos sendo alimentados de conhecimento, se por trás disto existe uma máquina que nos divulga exatamente o que é preciso para mantê-la? Essa máquina se chama capital. Então, nada mais justo que a educação nos sirva para sabermos separarmos o joio do trigo. E assim desta forma, que possamos escolher o que queremos aprender ou não. Não há conservadorismo em querer saber os prós e contras do uso indiscriminado da tecnologia da comunicação. Saber usar e entedê-las, isso sim é liberdade.

      • Natalí Garcia disse: -

        A divulgação do conhecimento na internet tem sido feita até o momento, em sua grande parte, de forma mais igualitária. Aos cidadãos dos 4 cantos do mundo (com exceção de poucos países, e graças a Deus Brasil não é um deles..) é permitido livremente expressar, arquivar e divulgar seus pensamentos. Isso pra mim já é avanço, ainda que seja necessário o avanço da educação também – como ambas dissemos – para criar o pensamento crítico nas pessoas, para que esta saiba interpretar e saiba usar esta informação nos momentos que forem adequados.
        Daqui pra diante, há uma crescente percepção que todo este conteúdo disponível nos meios digitais terá de se pagar, ou seja, haverão mais e mais textos redigidos com fins publicitários (seja pra dar retorno financeiro ou guiar seu público num sentido mais favorável àquele que esta por trás da informação). Portanto, considero que os dias atuais são um momento-chave: as manipulações do conhecimento não foram consolidadas (e provavelmente nunca o serão) e o que nos prende, atrasa, é principalmente a nossa falta de habilidade em usar esta poderosa ferramenta e a falta da ideia de onde poderíamos chegar com o que nos é dado hoje.
        Por isso, discordo do ponto de vista do texto, que para mim é um pouco pessimista – a todos nós foi dado um presente (com suas dádivas e perigos) nunca antes experimentado pela humanidade. É como se eu convivesse numa “república” de estudantes que eu estivesse escolhido a dedo, e pela manhã tantos insights e discussões amadurecem o meu pensamento e dos meus pares de maneira significativa (ainda que nenhum de nós vire a grande estrela da vez). Imagina o que um Marx não realizaria nestas condições?

  3. [...] o que me faz escrever esse texto é porque no anterior eu havia escrito sobre os contras de não sabermos usar conscientemente ou a nosso favor as possibilidades que as tecnologi…. Como o assunto discorria sobre os grandes pensadores, resolvi sintetizar e aludir uma história [...]

  4. Concordo. :) Mas, às vezes olhar para alguns pontos de vista de forma realista e crua acabam por ficar pessimistas. Mas, entendo completamente o que expôs.

  5. a internet foi criada pra facilitar nossa vida, encurtar o tempo de trabalho, nos deixar mais livres do tédio em escritórios… O imediatismo nas informações de hoje em dia somados a percepção de metade dos pensadores da nossa história trariam consequências catastróficas. Com certeza Voltaire criaria uma religião bem diferente da protestante que existe hoje, Hitler teria muito mais seguidores no twitter do que Stalin! (só pra rir msm) assunto tenso tamyres! parabéns!

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