Branding: cuidados a serem tomados na evolução das marcas
Por Eugênio Bispo¹
À medida que o tempo passa, percebemos que as marcas assumem cada vez mais uma importância maior em nossas vidas. Dificilmente esquecemos algo que consegue satisfazer nossas necessidades e desejos. Nesse sentido, tudo aquilo que aprendemos ao longo da vida é extremamente significativo. A mente recalca, grava os momentos mais importantes da vida. Fixa na memória tudo aquilo que desejamos. Assim, a decisão de compra é tão importante quanto à escolha da marca. A identidade e o modo pelo qual o consumidor busca conhecer o produto é através da cultura, valores que a marca representa. Entretanto, a empresa precisa entender que a marca é uma propriedade intelectual.
O empresário acha que a marca é um bem particular e por isso pode mudar a sua aparência sem se dar conta de que a marca tem uma identidade própria, uma identificação com o consumidor. O produto pode evoluir, mas nunca deixar de lado a sua identidade cultural. A exemplo do novo Uno, novo Palio, nova Schin, novo Rider e assim por diante. O que era antes e o que é agora? Isso faz diferença, sobretudo na mente do consumidor.
A marca pode evoluir, mas com as mesmas características de formato, desempenho, durabilidade e outras. Essas características estão materializadas na memória do consumidor ao longo do tempo, tempo esse que não quer esquecer, pelo contrário, quer continuar a perpetuar a marca para que a memória continue sempre viva. O novo Palio é um produto inteiramente diferente, isso é fato. Mas o que fazer com o Palio que conhecemos, o Palio que está em nossa memória?
A marca, assim como o produto, é parte de nossa vida, como se fosse da família, um bem muito estimado. A estima da marca é o único fator capaz de atravessar fronteiras, uma linguagem única, um só sentido, um só sentimento. A perda de identidade cultural não significa só a desmaterialização do bem, mas acima de tudo a descontinuidade da marca.
Cada marca tem um significado especial, tem um papel a desempenhar em nossas vidas e não podemos intervir a não ser para dar um significado a sua própria existência. A exemplo do sabão Brilhante, xampu Seda, chocolate Garoto, bicicleta Barra Forte, absorvente Sempre Livre, presunto Sadia, salsicha Perdigão… A marca deve estar sempre dialogando com o consumidor, dizendo para ele que ela tem um significado especial e que, muito embora existam outras marcas, ela está sempre ao seu lado, como se fosse um membro da família. Qualquer mudança sobre a marca pode significar mudanças no comportamento do consumidor. Por isso, muito cuidado na hora de mexer numa marca.
¹Eugênio Bispo é diretor da Global Consultoria, empresa especializada em marketing e em planejamento e desenvolvimento de marcas.








As marcas tem cada vez maior impacto na actuação do consumidor, de acordo com as várias acções que desenvolvem nos seus planos estratégicos de comunicação, incrementando a interacção. bom artigo e contributo.
Muito bom o texto! Mas acho que no caso do novo Uno a estratéia foi diferente, e a visão do publico e identidade cultural do carro foi remoldada.
Antes era um carro popular e economico, o produto passava essa imagem. Porém, uma nova lei implementada a pouco tempo exige que todos os carros a partir do ano de 2014 tenham air bag e ABS.
Essa nova exigência resultou no encarecimento do popular UNO que perdeu um pouco da sua identidade popular.
Porém, a FIAT viu a chance de investir em uma fatia pouco explorada no mercado automotivo e então surgiu a nova visão do UNO, um carro jóvem, com cores vivas e design mais atrevido. A estratégia foi um sucesso, as vedas superaram até mesmo as vendas do Gol e hoje o novo UNO lidera a venda de carros no Brasil.