Espírito natalino ou estímulo ao consumismo?
A época do Natal é marcada pela reunião entre amigos e familiares, que compartilham alegrias e afeto, trocam presentes e desejam o bem. A cidade fica mais bonita, decorada com luzes e enfeites natalinos, as pessoas reforçam a solidariedade através de diversas doações de alimentos e brinquedos. Por outro lado, é nesse período que as empresas mais estimulam o consumismo, fazendo com que o sentido do Natal se distorça para o apelo às compras.
Se já somos bombardeados por propagandas todos os dias com um sistema que dita o que precisamos comprar, nesse momento a intensidade é bem maior, e o espírito natalino se torna pano de fundo para justificar um dos períodos de maior faturamento no ano.
Muitos pontos de venda recebem a decoração de Natal já em meados de novembro como uma competição onde quem antecipa a decoração sai na frente e vende mais, e quem não decora fica “para trás”, além das caixinhas de colaboração dispostas ao lado dos caixas dos estabelecimentos esperando um cidadão colocar uma moeda para que os colaboradores cantem um jingle de Natal (uns ficam até de cara feia para quem não contribui!), sem falar das liquidações de fim de ano que começam a aparecer.
As propagandas de televisão direcionadas às crianças começam a passar mais nesse período e é difícil para um pai que passa o dia inteiro trabalhando dizer “não” ao filho que quer determinado presente de Natal, mesmo que esse seja desnecessário, pelo fato da criança passar o dia assistindo os comerciais da televisão e começar a acreditar que precisa de determinado brinquedo.
Será que os shoppings, ao decorar para o Natal, estão preocupados com o espírito natalino? Seria muita inocência afirmar isso, mas as pessoas se sentem bem mais à vontade para comprar em um espaço com Papai Noel, renas e uma árvore bem decorada. E se o shopping decora o ambiente natalino, por que eu não faço também?
A questão é que isso exige uma fabricação enorme de produtos, investimento pesado em propaganda, pagamento de impostos, entre outros, mas que muitas vezes essas fases passam despercebidas pelo consumidor, onde a única preocupação é o ato de comprar, que é a ponta do iceberg. Ou será que ao comprar a lembrança do amigo-secreto pensamos nas condições de trabalho dos chineses que fabricaram a maioria dos produtos de Natal consumidos pelos brasileiros, ou o impacto ambiental causado pelo lixo gerado por esse padrão de consumo sem consequências?
Estamos tão acostumados ao descartável, onde a moda é comprar tudo o que é novo para virar o ano com coisas novas, e ao final do ano descartá-las, que não pensamos no simples ato de consumir menos, ou de reciclar novas ideias. Será que precisamos de tantos objetos para satisfazer nossas necessidades morais, ou estamos nos tornando cada vez mais materialistas?
Parece que o Natal se tornou mais um dos motivos para aumentar o consumo e pouco pensamos nas consequências desse ato irresponsável. Dessa forma, não existe sistema econômico, social, ou ambiental que suporte esse padrão consumista. Mas bem que poderíamos desejar nos tornar consumidores mais conscientes nessa virada de ano.
¹Estudante de Administração pela UFPE, Ex-empresário junior pela A.C.E. Consultoria, gosta de pesquisar também sobre sustentabilidade, espiritualidade e qualidade de vida.








Um texto lucido que mostra o consumismo sem noção. Logo a direita mostra o Tio Sam chamando para as compras… as pessoas esquecem o aniversariante que alias, historiadores garantem que Jesus Cristo nasceu em abril. Parabens
Adorei a matéria. Texto inteligente e atrativo aos olhos de quem lê.