Slogans de Carnaval: qual o seu clichê favorito?
Geralmente no período que antecede a maior festa do ano, as ofertas varejistas estão a mil. Nota-se que, principalmente na TV, uma enxurrada de promoções preenche praticamente todo o horário comercial.
Sejam de lojas de eletrodomésticos, artigos eletrônicos, roupas etc, para quem pertence à área de Comunicação e afins percebe que, ano após ano, os slogans são os mesmos:
“Um carnaval de ofertas para você!”
“Venha aproveitar nossas promoções e seja você também nosso folião!”
“Carnaval Loja X, venha festejar com a gente!”
Haverá novas formas de inovar na linguagem utilizada para difundir campanhas promocionais? Nas redes sociais, por exemplo, cartazes no Orkut e Facebook ou dando “RT neste tweet e concorra” no Twitter também já são o suficiente? E é exatamente por admirar e acompanhar o trabalho dos redatores publicitários, que resolvi entrevistar alguns redatores cearenses.
@lucas_rodriguez ressalta algumas razões que, por mais que queiram criar algo novo, acaba tudo em mesmice:
“Eu sempre penso que o mercado tem que se renovar, inovar, ser autêntico. É impossível fugir disso, dos clichês, e quando o cliente vem do varejo, as datas-chave são e sempre serão um grande apelo econômico/propagandista, que tem que se vender sempre mais, no menor tempo e esses clichês sempre ajudam a conquistar essas metas. Acho que por isso, e pelo ‘feeling’ de alguns clientes, acabamos seguindo esse caminho.
Apesar disso, ainda prefiro tentar CRIAR algo novo e revolucionar. Nem sempre é possível, mas continuarei sempre tentando. Mesmo que os clientes pensem o contrário e as datas teimem em superar um apelo realmente vendedor e inovador.”
@GeorggePlutarco reforça a resistência dos clientes em aceitar novas ideias:
“Criar peças temáticas de acordo com as comemorações do ano, não só de Carnaval, se infiltrou na linguagem publicitária padrão. O que vemos é a maioria das produções presas aos clichês de ‘carnaval de ofertas’ como estamos cansados de ver. Por esse motivo, entramos num desafio maior ainda, que é o de usar essa linguagem de forma diferenciada, ou pelo menos com uma repaginada. Ou, se for da aceitação do cliente, quebrar esse paradigma com novos conceitos e abordagens. E isto envolve o medo do anunciante, que prefere permanecer na zona de conforto.
O que entra em questão nesse caso é saber se o público se enquadraria nessa nova chamada. Essa situação requer planejamento, não só bons preços e títulos temáticos. Para ousar é preciso pesquisar, a fim de se aproximar do seu alvo. No entanto, essa cultura tem grande dificuldade em se instaurar e os varejos parecem todos iguais, como uma consequência a este comportamento por conta do anunciante, mais do que pelas agências publicitárias.”
Já @WeltonLuis aponta possibilidades de como uma campanha varejista poderia ser anunciada de forma diferente nas redes sociais:
“De fato, o que mais vemos nessa época são anúncios com chamadas do tipo ‘carnaval de ofertas’, ‘folia do preço baixo’ dentre outras. Não só no Carnaval como em outras épocas comemorativas os clichês aparecem. O que poderia ser feito e acho que muito profissionais já pelo menos se esforçam pra fazer é aproveitar que Carnaval é uma festa mais descontraída pra fazer algo que realmente divirta e atraia o consumidor final, como ações de interação anunciante-consumidor final, sejam essas ações no próprio ponto de venda.
Aproveitando o gancho das redes sociais, pode-se até promover transmissões dessas ações na Twitcam para que tanto o público on-line como o off-line possa dialogar com a sua campanha. Resumindo: já que o Carnaval é uma festa descontraída e divertida, é importante que os anúncios e promoções de vendas transmitam isso para o consumidor.”
As respostas acima mostram o trabalho árduo diário que uma agência precisa fazer para infiltrar gradativamente novos horizontes aliados às frases de efeito das campanhas de varejo. Entretanto, restam em mim tais dúvidas: Neste período e em tantos outros que exigem propagandas de grandes apelo comercial, os clientes são resistentes demais ou os profissionais das agências ainda estão muito conformados com o “mais do mesmo”? E os slogans similares ano após ano, neste caso, atuam de forma desvantajosa ou serão indispensáveis, sempre?








Para complementar o jogo dos slogans: “Compre agora e comece a pagar só depois do carnaval…” clássica!
Ótima reflexão Priscila!
Na minha opinião a maioria das campanhas desta época aproveitam o clima de festa e de “libera geral” e com isso, atingem em cheio a empolgação do consumidor, que encontra-se submerso na sintonia desta folia e acaba por consumir cada vez mais. Tal resultado faz com que a maioria das empresas acreditem que tal slogan ou campanha obteve sucesso…
E a dúvida que paira no ar continua:
“(…)os clientes são resistentes demais ou os profissionais das agências ainda estão muito conformados com o “mais do mesmo”?”
Abraços!