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Consumidor exigente, político de qualidade

Os consumidores e eleitores estão cada vez mais exigentesVêm sendo fácil acompanhar as melhorias da população em quesitos como renda e empregabilidade. As classes mais baixas estão podendo comprar cada vez mais, mediante acesso ao crédito e as escolhas pluralizadas. Sim, tudo isto é fato, mas qual a relação proposta pelo título deste artigo, ou seja, do poder de compra dos brasileiros de classes como C e D com as eleições deste ano?

Eu explico: o que acontece com alguém que pode pagar por mais qualidade? Bom, dentre outras mudanças, o consumidor passa a ser mais exigente em aspectos como atendimento personalizado, garantias de reposição, formas de pagamentos e outros fatores ligados à satisfação. Basta dar uma volta em qualquer bairro da periferia para constatar: o cliente de classes historicamente menos favorecidas anda mais exigente. Salões de beleza, por exemplo, continuam sendo abertos em garagens de casas, de um jeito informal e tal, porém, agora com ar condicionado e com pagamentos no cartão. O que é isso senão a adaptação do empreendedor acompanhando a mudança de sua clientela? E é aí que entra a relação: o consumidor – leia-se também, eleitor– quer sim, um candidato melhor, assim como um bem ou serviço melhor.

Ora, se eu como consumidor venho me tornando cada vez mais exigente quanto à qualidade de tudo o que o mercado de bens me oferta: se eu quero um vendedor que me atenda bem; se eu exijo um produto de qualidade e um serviço na medida certa de minhas expectativas, e, ainda, se eu sei que posso exigir tudo isso pelo simples fato de que posso pagar o preço que me cobram, por que, com tanto poder em minhas mãos – e bolso!– devo aceitar uma campanha sem qualidade?

Se exijo como consumidor, passo a exigir como eleitor também, na mesma medida. A mudança comportamental envolve-nos como um todo, não em parte. A lógica do consumo passa a ser a lógica do eleitor, pois não vou aceitar um candidato “mais ou menos”, numa campanha “mais ou menos”, com propostas e discursos idem.

Se os políticos e partidos continuarem apostando em candidatos sem conteúdos e militantes que só sabem panfletar santinhos, as urnas trarão surpresas. É o novo consumidor brasileiro alimentando o novo eleitor num processo sem volta.

Fonte da imagem: Karima-Catherine

Sobre Danilo Amaral

Danilo Amaral é formado em jornalismo com pós-graduações em Gestão e Marketing Eleitoral e Político. Trabalha com consultoria na área de comunicação, é repórter, produtor e apresentador de TV.

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