E no Twitter: censura ou diplomacia?
E o Twitter resolveu moderar-se. Sem meias palavras, é isso que consta em seu blog oficial. De acordo com o post, a rede social pode, a pedido de entidades e governos, barrar tweets ou perfis, para o país onde a decisão for tomada ou ainda que exista uma legislação vigente sobre o conteúdo. Críticas vão, críticas vêm, mas afinal, seria isso censura ou respeito à legislação local?
Sabemos a importância que empresas e pessoas dão ao que surge no Twitter, mesmo depois de sabermos que o Twitter modera os Trendics Topics. O diferencial é que, desta vez, não serão editados os tópicos de referência, nem haverá um maior fluxo de patrocinados, tweets serão deletados e perfis, bloqueados, se assim entidades e governos solicitarem, mesmo onde o Twitter tiver escritório. Divulgar isso já foi o bastante para gerar confusão e risco de boicote.
Muitos trataram essa decisão da empresa como uma forma de censura induzida por governos e entidades. Ativistas como a cubana Yoani Sánches declararam seu desapontamento e houve quem considerasse a atitude como suicídio social. Já a jornalista Carla Peralva escreveu para o Estadão que, mesmo sendo clara a necessidade de um pedido legal, a justificativa dada pela empresa dá abertura a diversas interpretações.
Vi sim, chamarem esta atitude de “censura”, “censura reativa” e tantos outros termos e concordo, de verdade. Considero a atitude um risco ao direito de expressão (que, inclusive, é direito humano) e sei que poderão (e vão) abusar dessa abertura afinal, abuso é a palavra da vez. Imagino o que acontecerá com perfis de blogueiros, jornalistas, ativistas, de todo o mundo e sei que o barulho será imenso.
Para o Twitter, isso viria sim, mais cedo ou mais tarde. Recordo-me de diversos casos de preconceito extremo e xenofobia na rede social aqui mesmo no Brasil. O Twitter, em seu blog, diz que a restrição de conteúdo será feita de forma reativa para usuários de um determinado país, visto que há países que possuem leis locais que devem ser respeitadas. No post está claro que será retido conteúdo específico e o usuário será informado que o conteúdo está retido.
O que me preocupa é a forma que a política reativa de restrição e retenção no Twitter vá funcionar. No Brasil, não há uma política que regulamente o conteúdo da Web, nem de veículo nenhum, quando se fala em comunicação. A preocupação inicial do Twitter veio com países como a França e Alemanha e sua política contra o neonazismo, mas em lugares como o Brasil, sem um limite delineado, todos poderão processar todos ou todos solicitarão ao Twitter a mesma coisa? Não imagino esta nova política funcionando aqui, de verdade.
Só espero que não estejam tentando ferir nossa voz, afinal, vivemos boa parte de nossa geração sem o Twitter, poderíamos então nos livrar dele?
Marcos Rodrigues é estudante de jornalismo e assessor parlamentar. Lida com planejamento em comunicação e mídias sociais desde 2010.








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