Liberdade nas redes sociais é posta à prova

Por Bruno Mendes

Assim como acontece em outras redes sociais, desde as últimas horas de quarta-feira passada (16/06/10) o Twitter começou a vincular nas listas dos Trending Topics os Promoted Tweets, que são os tópicos incluídos nos TT’s de forma remunerada.

Após uma breve reformulação o Orkut passou a disponibilizar um espaço não só para as propagandas remuneradas, mas também para divulgações livres de seus usuários. Fazendo uma breve e grosseira comparação, este espaço do Orkut pode ser comparado aos TT’s do Twiter (mesmo que estes tenham um poder de disseminação muito maior que no Orkut).

Há algum tempo que conversas sobre publicidade no Twitter surgiriam, mas não me lembro de ter visto ou ouvido nada quanto a esta publicidade ser nos TT’s. Historicamente o Trending Topics é lugar de manifestação popular, onde nós, usuários da rede, podemos expressar nossa satisfação e insatisfação (como foi a convocação da seleção brasileira para a copa do mundo) e nossa irreverência (ao disseminar pelo mundo uma pseudo campanha para salvação de pássaros da espécie Galvão).

Não sou contra a publicidade paga em redes sociais, mas contra a forma como ela está sendo inserida na rede. Ao invés da criação de espaço específico para isto ela está sendo feita junto com o que eu, você e milhões de pessoas escolheram estar ali. Mais do que o sentimento de “publicidade” fica o sentimento de que estão querendo “ludibriar” os usuários.

A caixa amarela ao lado com o nome em destaque PROMOTED não apaga a impressão de que ele está ali para enganar os mais desavisados com uma mensagem sublime pedindo, como quem não quer nada: “Clica aqui depois, só por curiosidade”.

Misturar termos que usuários quiseram que ali estivessem com patrocínios é a mais pura imposição social em plena era digital. O pensamento 2.0 não pode ser confundido com práticas do início do século 20. Os TT’s são do povo, assim como a publicidade é para o povo, mas cada um sem eu lugar. Afinal, os grandes patrocinadores das redes sociais somos nós.

Sobre Bruno Mendes

Administrador pela Faculdade de Alagoas, pós-graduando em Gestão Estratégica de Empresas e Marketing pelo Centro de Ensinos Superiores de Maceió.

5 comentários

  1. Flávia Souza disse: - Responder

    Ué, mas a lógica não é exatamente essa? Disponibilizar uma publicidade em um local que o público veja e, melhor, conheça. (neste caso, clique)?!

    Não sei se entendi exatamente o que você quis dizer, mas reli várias vezes e esse final me fez ver que você parece que não gostou muito dessa publicidade ter sido exposta em um local “do povo”, os TT’s, como você bem explicou.. Daí a razão do meu questionamento inicial.

    Me dê uma luz sobre seu pensamento com esse texto. Eu quero mesmo entender ;) Um abraço!

  2. Bruno Mendes disse: - Responder

    Olá Flávia,

    Realmente a lógica dos PROMOTED TT’s é de estar em lugar visível e que o público possa acessá-lo de forma rápida e constante. Mas não precisa ser invasivo.

    Partindo do ponto de vista de quem anuncia é ótimo, mas no meu modo de ver (como usuário) não. Os famosos TT’s são para destacar os assuntos que a comunidade participante mais comenta, e não lugar para temas “impostos” pelo desenvolvedor.

    Essa prática de inserir temas pagos no meio de temas propostos pelos usuários pode ser comparada ao SPAM. Você não queria receber, não pediu pra receber, mas mesmo assim recebeu.

    O problema não são as propagandas no twiiter, mas a forma um tanto invasiva como estão sendo inseridas. Eu me sinto incomodado ao ver publicidade paga em lugar de um tema que os usuários querem falar.

    Acredito que a criação de um espaço específico para isto seria o mais sensato (como uma “caixa de publicidade”, como acontece no orkut). Para os mais desavisados, fica a impressão de que todos estão falando sobre o filme da Pixar, quando na verdade não estão. Ele só está alí porque houve pagamento.

    Espero ter tirado suas dúvidas e esclarecido pontos que não tenham ficado tão claros assim.

    Sds,

    Bruno Mendes

  3. Flávia Souza disse: - Responder

    Ah!! Gostei bastante da sua resposta! Agora sim consegui entender o que você quis dizer. Com base na sua resposta, entendi que existem aqueles que se sentem incomodados com a “publicidade spam”, e acho válida essa ideia de um espaço voltado só para publicidades.

    Seu comentário tem sentido, considerando que tem gente que realmente não gosta de anúncios dispostos nesses locais que você bem citou. Maaas… achei tão sutil (ah, claro, uma das várias regras da boa publicidade.. rs) que aquilo não me incomodou.

    Acho que porque, de cara, já percebi que aquilo não fazia parte dos assuntos que o povo comenta, mas sim de uma publicidade. Obrigada por ter respondido tão prontamente e por ter aberto minha mente pra considerar opiniões como a sua, com relação à publicidade.

    p.s.: só uma correção: no twitter, meu nome de usuário é FlaviaSouza1 (você esqueceu do numeral.. rs)

  4. Bruno Mendes disse: - Responder

    Fico feliz em saber que consegui expor de forma mais clara o que queria dizer. O meu sentimento é meio que como se disesse “Ei, isso não era para estar aqui”!

    Sutil ele é, com certeza! E, diga-se de passagem, SPAM é irritante!!!

    Eu que agradeço pela interação com o assunto. A inquietação é o grande fator impulsionador de debates como este e saber que temos não só leitores passivos que nos leêm diariamente, mas leitores questionadores como você, que nos fazem aprender cada vez mais.

    Ih, foi mesmo, esqueci do número! rsrs Agora já sei a forma correta!!

    Abraços

    Bruno Mendes

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