O brasileiro nas redes sociais: com a faca e o queijo na mão

Por Bárbara Lobato

Impossível negar a força das redes sociais aqui no Brasil. Na última semana o termo “Cala Boca Galvão” foi assunto mais comentado no Twitter e chegou a ganhar notas de repercussão nos jornais estrangeiros New York Times e El País, além das mídias tradicionais brasileiras. Os estrangeiros confundiram o jargão brasileiro e até acharam que seria algo para salvar um pássaro chamado Galvão. Nada disso.

A força do brasileiro, nesse caso, se concentrou na mobilização, na expressão e em gritar para o mundo o que pensa. Quer ferramenta mais propícia pra isso que a internet? Juntos, os brasileiros conseguiram pautar a mídia tradicional (que não poderia mesmo ficar de fora dos assuntos comentados no twitter) e a internacional.

Não é pra menos. O Brasil conta hoje com mais de 9 milhões de pessoas no Twitter. Embora o número seja grande, ainda não é possível mensurar o quanto as pessoas interagem nas redes. junho de 2009, por exemplo, conforme dados do Ibope Nielsen Online, 21,4 milhões de pessoas – ou seja, 83,6% dos internautas – usaram algum tipo de rede social no Brasil. Milhões de brasileiros gerando conteúdo online e depois, quem sabe, migrando para o offline.

Mesmo com essa mobilização, há as pessoas que criticaram o foco. E não foi para menos: ao mesmo tempo que brasileiros estão ligados na TV, rádio, impresso e internet para ler sobre o desempenho das seleções na Copa, aqui o Governo Federal aprovou aumento de 18% para a Câmara dos Deputados.

E fica a indagação: até que ponto o brasileiro é capaz de mobilizar para o desenvolvimento do país?

Ora, vivemos no país que em certa edição do reality show Big Brother Brasil atingiu a marca de mais de 66 milhões votando em quem deveria continuar na casa. Nem o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva obteve tal feito quando foi reeleito em 2006 com pouco mais de 58 milhões de votos.

Não restam dúvidas do poder de mobilização do nosso país. Só precisamos definir quais serão essas estratégias e qual objetivo vamos concentrar forças cibernéticas para fazer diferença histórica na política, na sociedade, na economia… Ou seja lá o que for, o que importa é que estamos com a faca e o queijo na mão.

Sobre Bárbara Lobato

Jornalista, pós-graduanda em Comunicação e Multimídia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

2 comentários

  1. Rosiene disse: - Responder

    Muito bom o texto, Babi!! A comparação da votação do Big Brother com a eleição do Lula é muito boa para efeito de comparação.

    Concordo que o brasileiro tem a faca e o queijo na mão. Porém, acredito que a gama de informações que as novas tecnologias trazem ao cidadão não é o suficiente para a mobilização social que o país precisa. Para isso, o cidadão tem que saber discernir que tipo de informação lhe é úti e de que forma irá usá-la, pois sabemos que a rede mundial de computadores pode ser usada para o bem ou para o mal. Falta boa parte dos usuários se conscientizarem disso.

    Uma boa mostra do mau uso da informação que rola no território livre da internet é a vacinação contra a Influenza H1N1. Milhares de pessoas deixaram de se vacinar devido a teorias absurdas que circulam na net de que a vacina mata, torna pessoas inválidas, que é uma conspiração dos E.U.A contra o Brasil… Esse fato mostra que não basta ter informação e tecnologia nas mãos se a a educação fica sempre pra depois.

    Parabéns pelo texto!!

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