O que esperar de uma assessoria parlamentar em redes sociais?

Por Marcos Rodrigues¹

Muitos já leram diversos artigos sobre marketing, publicidade e mídias sociais no período eleitoral. Mas, e depois das eleições? Será que é necessário existir esse vácuo? A necessidade de “estar presente” nas mídias sociais não vale somente para empresas. Hoje, figuras públicas possuem essa necessidade de aparecer e saber o que o público pensa e comenta sobre elas. No entanto, elas não dispõem de tempo para analisar tais informações.

Surge daí uma luz, um super-herói. E como todo bom super-herói, este também tem uma fraqueza: não saber quem é, nem o que e de quem cobrar/ser cobrado. Não se traçou ainda um perfil sobre quem se utiliza das redes de um parlamentar ou mandato, nem que formação esse alguém deve ter para isso (acreditem ou não, é preciso saber o que fazer e quando e, para isso, necessita-se de formação e informação). Geralmente, esse herói faz parte de uma equipe da assessoria de comunicação, mas qual a real função dele e o que esperar desse “free lancer”?

E agora quem irá me defender?

Imagine uma colcha de retalhos. É assim que é construída uma assessoria parlamentar. A única diferença é que seus membros são escolhidos de acordo com interesses. Na “divisão” de funções, o “tuiteiro”, “orkuteiro” ou o carinha que sabe usar o Facebook costuma aderir ao uso dessas ferramentas do mandato. Quando não há este carinha, há uma sobrecarga nas costas do jornalista ou de algum membro da assessoria de imprensa.

Que esses coitados fazem o seu trabalho, isso não há dúvida. No entanto, isso é apenas a ponta de um Iceberg. Eles atualizam as redes sociais, dominam (ou não) o Twitter, acompanham as notícias do mandato e parlamentar. Mas isso não é nem 1% do necessário. Lembro de um artigo no Mídia8 onde se expunha 4 motivos para monitorar uma empresa estar presente nas redes sociais e garanto que para parlamentares os pontos são os mesmos e ainda acrescento um: Reconhecer os focos dos quais surgem notícias que geram influência negativa com relação ao nome da pessoa.

Sem conhecer, saber estruturar-se e rastrear informação, uma campanha (ou, no caso, assessoria) dentro das redes sociais será, no mínimo, infundada e não gerará nenhuma influênncia nem positivará a imagem do mesmo.

E é possível reconhecer?

Muitos dizem “sou eu que uso isso ou aquilo”, mas até onde isso é verdade? Geralmente, se percebem as falhas, não por erros ortográficos, nem mesmo por onde se manda o Tweet, muito menos pelos termos usados (isso só ajuda). Se percebe um “alien” no perfil de alguém pela padronização. Mesmo formato de texto, mesmos termos em primeira pessoa, mesma forma de se passar um link. O lado bom é que não há um padrão generalizado entre os assessores, o que dá heterogeneidade ao formato de assessoria. O lado ruim é que tem gente que ainda cisma em dizer que está presente pessoalmente em todos os lugares.

Leia a segunda parte do artigo clicando aqui.

¹Marcos Rodrigues é estudante de Jornalismo, amante de redes e mídias sociais e acredita no novo meio de interação.

Sobre o(a) autor(a)

Este artigo foi feito por um(a) autor(a) que quis divulgar seu trabalho através do nosso blog. Se você também gostaria de escrever para o Ponto Marketing ou quer indicar alguma pauta, mande um e-mail para pauta@pontomarketing.com.

4 comentários

  1. Tatiana disse: - Responder

    Antes de colocar o parlamentar nas redes sociais, é preciso saber se ele vai conseguir lidar com essa “demanda”. Planejar a presença dele não é responsabilidade simplesmente da assessoria. Isso era algo que discutíamos muito na agência em que eu trabalhei. Imagina se o eleitor chega pro deputado ou senador e comentar “ó, eu te sigo no Twitter” e o parlamentar faz aquela cara de interrogação?? E sabe como é, meio difícil fazer as ‘excelências’ entenderem do que se trata Twitter, Facebook, etc. Eu defendo que, se o parlamentar não quiser se aproximar do eleitor (em termos de ser mais cobrado, questionado e até trollado), melhor não colocar as asinhas de fora nas mídias sociais, porque a relação é diferente do que ocorre no site oficial, por exemplo.
    E como você bem colocou no texto, o profissional que estiver administrando a presença do parlamentar deve não só saber do seu cliente, como também do processo legislativo, do papel de um deputado ou senador, do trabalho que ele realiza em uma comissão, etc. Isso é fundamental, pois esse “carinha da internet” terá de enfrentar muitos brasileiros que não fazem ideia do que cobrar de seu parlamentar.

  2. Excelente posicionamento Tatiana. Acontece que muitos querem simular que usam, e exigem uma padronização por parte dos seus assessores. Os que não exigem isso, usam realmente seu perfil e isso nos garante um bocado de gafes nas redes sociais e até mesmo de forma presencial.
    Como assessor parlamentar, já presenciei e ouvi muitos (mas muitos mesmo) sobre isso. Pessoas de todas as idades, em todos os meios. Acredito que falta muito mais. Fiz esse artigo para mostrar que as assessorias em mídia não são estruturadas nem têm os recursos necessários e ainda falta formação. Mais tarde, possivelmente, descreverei uma assessoria melhor estruturada para redes e mídias sociais para esse pessoal e que servirá para empresas que têm esse mesmo problema com Midias Sociais.

  3. “Pra política, políticos”. É assim que defendo em consultas ou palestras o elemento básico para atender as demandas do setor.
    Partidos, governos e parlamentos, apesar da importância, tem baixa audiência. Só a má notícia chama atenção. E quando ela é em quantidade satura rapidamente.
    Como falar para um público que não quer te ouvir? Esse é o desafio.
    Pior é o público te dar uma chance e a comunicação ser inadequada. Política é assunto árido, pesado.
    Somente profissionais de comunicação e marketing politizados conseguem passar informações relevantes, de conteúdo apurado para o público sem cair nos clichês.

  4. [...] artigo “O que esperar de uma assessoria parlamentar em redes sociais?“, foi possível perceber como funciona a assessoria em mídias sociais na grande maioria dos [...]

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