Tenho um blog. Já posso ser um jornalista?
Um dos temas que mais se discute na interwebs é acerca da capacidade ímpar que os usuários estão tento de produzir conteúdo, ainda mais depois do advento da chamada web 2.0 e todas as suas ferramentas cheias de mimimi. Porém, uma coisa deve ficar muito, mas muito clara nesse assunto: jogar conteúdo nas redes sociais, por si só, não faz do usuário um jornalista profissional.
“Ah, mas o diploma caiu”, alguns diriam. E eu lhe pergunto: e daí? Muitos dos maiores profissionais de comunicação, tanto da área do jornalismo como da publicidade, não fizeram faculdade. Graduação não dá mérito para que ninguém se transforme em um profissional extremamente capacitado, mas ajuda nesse processo. A opção por cursar uma universidade vai de cada um. Minha opinião? Sim, o jornalismo necessita de faculdade.
O que acontece é que há uma miopia intelectual por parte de muitos usuários. Assim como a televisão, a internet também aliena, porém não faz todo trabalho sozinha. Achar que só por produzir conteúdo e jogá-lo na rede o transforma em jornalista é como achar que existe uma geração Y ou X que vai mudar o mundo. Jornalismo custa caro, folks. Produzir conteúdo não significa produzir jornalismo.
Não achem que qualquer usuário, por mais descolado que seja, consegue produzir o que uma Rede Globo, CBS ou CNN produzem. Jornais como a Folha de S. Paulo ou o Estadão são instituições jornalísticas. Derrubá-los da noite para o dia soa tão patético quanto achar que as redes sociais derrubaram o ditador do Egito. Muita calma nessa hora, pessoal.
Blogs, por exemplo, são fundamentais para a sociedade. Mas apenas manter tal canal não faz de ninguém um comunicador profissional. Aos poucos, um blogueiro dedicado se transforma em um profissional extremamente qualificado. Muitos blogueiros são melhores que muitos jornalistas. Diploma não garante qualidade, assim como uma conta no Blogger ou no WordPress não institui um jornalista.
Como já citei no texto “Jornalista ou blogueiro?”, os “blogs nunca foram plataformas de diários adolescentes. Tal fato foi uma tentativa de inferiorizá-los através de significados difusos com origens plantadas somente para dar um ar pejorativo e com pouca ou nenhuma seriedade ao meio”. Porém “um jornalista só por ser jornalista não é imprensa. Ele precisa atuar como imprensa. Ele precisa exercer a imprensa, mesmo que de forma independente. Um blogueiro que escreve em um blog não é imprensa só por ser um blogueiro. Sua plataforma deve ser estruturada em um modelo que passe credibilidade, conteúdo, domínio no assunto e, acima de tudo, tenha teor jornalístico”.
Obs. Tive a ideia para o título desse artigo inspirado no texto “Tenho Twitter. Posso ser um analista de redes sociais?”, do Felipe Morais.
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Fonte da imagem: The Next Web








Concordo com o Cleyton, a chamada “queda do diploma de jornalista” é apenas para oferecer a sociedade autonomia e credibilidade nas informarções publicadas, mas isso não torna um cidadão jornalista.
Exato, Rafael.
A gente chegou ao ponto que nem a faculdade garante mais que vai ser um jornalista profissional.
Pois é, Dennis. Principalmente pelo número de faculdades vagabundas que estão espalhadas pelo Brasil.