Os engolidores de Spams e a crise da publicidade

Por Roberto Tostes

Conta a lenda que Fausto vendeu alma ao diabo para permanecer jovem e desfrutar a vida, na história imortalizada por Goethe em peça de teatro*. Nos tempos atuais, vendemos nossos minutos e atenção para ganhar descontos e produtos exclusivos. A publicidade vive sua crise de identidade querendo manter seu status enquanto que acabamos vendendo “pedaços” de nossa alma.

Querem um exemplo? Há uns três meses fiz um teste para pesquisar o mercado de compras coletivas: efetuei o cadastro com um e-mail alternativo nos principais sites deste setor. Não fiz até hoje compra nenhuma, mas continuo recebendo pelo menos 2 e-mails diários de cada uma destas empresas.

Antes spam era lixo eletrônico, agora entramos na era do “spam consensual“. Vale a pena para os dois – produtor e consumidor? O que se cria de novo e útil com isso?

Enquanto pensamos, a caixa de e-mails vai se enchendo e nós apenas viramos um número, porque este sistema só se sustenta na casa dos milhões, sem personalização. Isso não é “cauda longa”, é rabo preso!

Outro exemplo: pago assinatura de tv a cabo para não ver propaganda de tv aberta. E o que acontece? Em quase todos os canais exclusivos, para cerca de 2/3 de conteúdo engulo 1/3 de auto-propaganda, obsessiva e burra. Isso fora a repetição exaustiva de conteúdo, seriados e filmes, sem renovação.

Sou formado em comunicação e publicitário, então posso falar: cadê a criatividade para mudar essa encheção de linguiça? A internet nos mostra diariamente soluções inovadoras e menos intrusivas.

Por trás de tudo isso existem pessoas, e quando o rebanho muda a direção, ninguém segura a manada. De uma hora para outra os grandes da web podem cair em um buraco vazio. É melhor que eles respeitem a privacidade e também façam sua parte, colaborando para consertar um mundo tão distorcido, em questões humanas, ecológicas, políticas e religiosas.

Profissionais da mídia, publicitários, agências, mídias, veículos de comunicação, políticos, empresas, instituições, REIVENTEM-SE enquanto ainda há tempo. Precisamos de uma comunicação humana e participativa.

E quanto a nós consumidores? E nossa liberdade? Vamos pra Rede sim, precisamos nos unir virtualmente, como força coletiva, mas não pra ser apanhados como peixes e objeto de consumo. A internet tem que ser nossa, de mão em mão, coletivo de grupos e ideias.

Sou otimista e acredito na mudança. Na ficção ou na vida real, o fato é que nossos sonhos e nossa alma não tem preço.

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Fonte da imagem: Hot News World 

Sobre Roberto Tostes

Publicitário e escritor. Formado em Comunicação Social pela UFF – Rio de Janeiro. Atualmente dá assessoria em estratégias de comunicação, projetos editoriais e marketing digital.

2 comentários

  1. Por isso muitas vezes, gravo minhas séries e programas favoritos, assim não preciso ficar vendo a encheção de linguiça. Parabéns pelo post!

    • Valeu Alex,
      Bom exemplo o seu tambem. Todos temos que nos movimentar e parar de “engolir spams”. Isso vale pra muitas atitudes nossas no dia a dia como “consumidores” para produtos, politicas, etc etc. Abs!
      Roberto

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