Propaganda: comercial de calcinha não pode, mas de cerveja pode
Recentemente uma marca de roupas íntimas femininas lançou um comercial de TV onde a supermodelo Gisele Bündchen aparece “ensinando” as mulheres a dar más notícias aos seus maridos. O tal comercial foi repudiado pela Secretaria de Políticas para Mulheres, que encaminhou uma nota ao CONAR para que a campanha fosse suspensa.
Interessante esse tipo de abordagem e de entendimento. Mostra, ao meu ver, uma visão distorcida e partidária (para não dizer recalcada) da mulher na propaganda. Explico.
Calcinha não pode, cerveja pode
No comercial, a Gisele mostra às consumidoras que o jeito certo de dar uma má notícia ao companheiro é usando apenas calcinha e sutiã, preferencialmente da tal marca. É um jeito engraçado, e claramente sensual, de refletir algo que acontece no cotidiano de qualquer casal – Minha esposa, por exemplo, me oferece uma massagem nos pés; eu sempre caio. Todo casal faz isso uma vez ou outra e muitos casais resolvem sim seus problemas com sexo.
Isso a SPM percebeu, mas ainda não percebeu como as mulheres são tratadas nos comerciais de cerveja, por exemplo. Talvez porque as cervejarias são mais ricas que os fabricantes de peças íntimas. Nesses comerciais, o homem sempre está em busca da mulher, geralmente em biquínis minúsculos, que vão correndo para os braços dos homens quando estes estalam os dedos e mostram um copo cheio de cerveja gelada. Isso a Secretaria não enxerga.
Calcinha não pode, gel dental pode
Não sei se você já viu, mas um tempo atrás foi veiculado um comercial de gel dental onde uma mulher tem seu carro apertado entre dois, o que a impossibilita de tirá-lo da vaga. Para resolver isso, o que ela faz? Escova os dentes, que ficam extremamente brancos e atrativos, e sai pela rua sorrindo e convencendo um grupo de homens a tirar o carro no braço. É praticamente a mesma situação da calcinha da Gisele, mas nesse caso nada foi dito. Se é pra repudiar a imagem da mulher objeto, que seja em qualquer ocasião.
Calcinha não pode, feminismo pode
E nos comerciais onde há clara apologia ao feminismo, pode? Pode sim. A veia hipócrita incha e fazem vista grossa. Não pode machismo, então também não pode feminismo, pois um alimenta o outro. Eu acho é que falta alguns órgãos diferenciarem machismo e feminismo de comédia. A propaganda sempre se utilizou desses recursos, mas eles só são barrados em ocasiões muito suspeitas.
Que tal a Secretaria emitir notas de repúdio a todas as delegacias que fazem um atendimento ineficiente e desrespeitoso às mulheres que sofrem de violência doméstica, assédio moral e sexual, exploração e outros flagelos sociais? Apesar da grande evolução das mulheres na sociedade (e espero que elas ainda dominem o mundo), todos os dias vemos casos de espancamento, humilhação, desonra e todo tipo de agressão contra nossas mulheres, infelizmente, na maioria dos casos, nas classes menos favorecidas. Que tal um olhar mais crítico e severo para a punição dos miseráveis que fazem esse tipo de covardia com as mulheres?
Secretaria de Política das Mulheres, menos hipocrisia, mais trabalho efetivo e concreto por favor.
Com informações da Exame.com








Esta secretaria de política para as mulheres está mais para a liga das senhoras católicas.
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