Boas sementes em terra fértil
Por Shirley Guimarães de Mello.
Artigo vencedor do concurso “Os Caminhos da Sustentabilidade”.
Viajei esta semana no ônibus com cinco meninas na faixa dos 8 a 10 anos. Estavam vestidas a caráter, pois vinham do ballet. Conversavam alegremente, riam e emanavam aquela energia gostosa que só as crianças têm. Mais pareciam bailarinas de Degas.
Fiquei a observá-las curiosamente, ora lembrando minha própria infância, quando minha mãe sonhava que eu também me tornasse uma linda bailarina, ora pensando em como seria bom se, no mundo, todas as crianças tivessem a mesma chance: aprender uma arte. Assim como eu não tive, milhares pelo mundo a fora também não têm esta oportunidade. Muitas não têm sequer uma refeição por dia. Outras se perdem em tenra idade e não chegam a completar uma década, como aquelas alegres dançantes.
Diante daquela cena, me peguei a pensar em algo que sempre me volta à mente. É um tema recorrente e uma pergunta: o que temos feito pelas nossas crianças? Vivemos em um mundo tão conturbado, tão violento, tão cheio de desigualdades, com tantos desequilíbrios, uns com tanto, outros sem nada, que fico a pensar no que posso fazer dentro da minha esfera de ação para dar um mínimo de contribuição que seja pelo meu planeta. E só me vem à cabeça uma palavra: crianças.
A tão falada sustentabilidade não se resume a gestos corajosos de ONGs que lutam pela natureza. Também não é apenas evitar os saquinhos plásticos no supermercado. Pra mim, ser sustentável é ter atitudes que valorizem a vida e, sobretudo, o SER HUMANO. Pois um mundo com pessoas “não-sustentáveis”, não poderá ser sustentável e muito menos sobreviver. E onde tudo isso começa? É lá, na infância.
Penso: como posso ajudar uma criança a ser uma pessoa melhor? Como esta criança pode crescer e se tornar uma Pessoa, no melhor sentido do termo? Como posso contribuir para que as crianças adquiram consciência ecológica, de cidadania? E por ecológico não entendo apenas o que diga respeito à natureza. Pra mim, o mais relevante é a ecologia humana, é gerar a nutrição de nossas crianças com afeto, com auto-estima, com oportunidades, com educação de qualidade, com valores éticos e humanos, para que se tornem o melhor que puderem ser, para que vivam suas vocações, respeitando os talentos, os limites, as capacidades de cada um. Respeito: taí, essa palavra combina muito com sustentabilidade.
Sou uma sonhadora e quero fazer mais. Quero fazer pelas crianças, pois elas saberão levar adiante novos ideais. Estão livres dos ranços passados, são espontâneas e criativas, até que as aprisionemos em padrões atrasados e egoístas. São como uma terra fértil e adubada, à espera de nossas boas sementes. Plantemos, então.







Muitos parabéns à Shirley Guimarães de Mello por vencer o concurso “Os Caminhos da Sustentabilidade” com este excelente texto que aborda um dos aspectos da sustentabilidade tantas vezes esquecido, que é a justiça e a ética social.
E parabéns ao Gabriel Galvão por ter dedicado uma semana à Sustentabilidade, que tão essencial é em todos os sectores, inclusive no marketing, bem como a todos os que contribuíram participando.
Bem hajam
Parabéns pela premiação. Posso reproduzir o texto no meu blog, citando o llink para aqui? Muito obrigada.
Oi, Renata!
Claro que pode! Ficamos muito gratos pela reprodução do artigo, só não esqueça das referências no final, ok?
Abraços e sucesso!
Muito obrigada, Manuela e Renata.
Fico muito feliz em contribuir da forma como sei, que é escrevendo para conscientizar. Agradeço mais ainda ao Gabriel pela ótima oportunidade. Renata, qual o link do seu blog?
Abraço, Shirley