Sustentabilidade no futebol: acredite, é possível

Por Leonardo das Neves

É indiscutível que no futebol o dinheiro é o item mais importante da negociação. Em algumas situações, pode até mesmo pautar uma decisão. Percebemos isso nas negociações astronômicas que são feitas por clubes, não só do Brasil, mas do mundo inteiro, principalmente na Europa.

Mas será que esses clubes-empresa estão, de fato, preocupados com sua imagem no cenário do futebol e, também, no mundo? Se sim, não estão fazendo com muito afinco.

Todo dinheiro arrecadado com essas negociações, de certa forma, absurdas, é destinado à melhoria na infra-estrutura do clube, bem como no pagamento de dívidas, salário de funcionários e afins. Tudo bem, isso é mais que obrigação da empresa.

Agora, imagine se um clube de grande porte destinasse uma porcentagem de seu faturamento à ações sociais? Imagine se houvesse um auxílio por parte dos clubes para projetos sociais?

Diferente, não é? Eu diria, inovador.

Com a vertente de sustentabilidade ganhando força cada dia mais no cenário mundial, seria de extrema valia se os clubes adotassem medidas que contribuíssem para o desenvolvimento de seu entorno. É mais que comprovado que, adotando medidas sustentáveis, a imagem da organização melhora com seus stakeholders consideravelmente.

Então por que eles não fazem isso?

Quem sabe se destinassem uma parte de seu faturamento à fundos de apoio social, à programas de ajuda, ONG’s, CEFIP’s, entidades que realmente necessitem de ajuda.

E o mais importante, eles têm funcionários que ganham absurdamente bem (jogadores e comissão técnica). E se esses fossem estimulados pelo próprio clube em adotar “atitudes sociais”? Acredito que, inevitavelmente, haveria uma positivação na imagem de ambos os lados, tanto dos funcionários quanto do clube.

Voltando agora para o caso mais recente, o “Caso Neymar”

É notório que há um descontrole, tanto da parte do Santos FC quanto do jogador. Com tanta soberba e tanto hedonismo, a possibilidade de constituir uma imagem positiva em relação à pessoa e até mesmo ao clube cai bastante.

O jogador recebeu uma multa de 30% no valor de seu salário (R$ 150 mil), o que se caracteriza com a forma mais “árdua” de penalizar um funcionário por um erro intencional.

Porém, uma dúvida que tenho comigo é: para onde vai esse dinheiro? Será que continua indo para os cofres do clube? Se sim, acredito que isso seja um erro.

Por que não reverter essa penalidade em alguma ação social? Seria uma ótima forma de coibir atitudes de rebeldia, além de auxiliar na constituição de uma boa imagem de ambas as partes (jogador e clube).

Saliento que não tenho interesse em defender o ascetismo esportivo, até porque muitos não foram preparados para tal, mas apenas para agirem de forma responsável e, de certa forma, oportunista. Ou mesmo, saberem reverter uma situação delicada a seu favor.

Por isso, um profissional de Relações Públicas é tão fundamental num clube de futebol. Afinal, além das várias atribuições que temos em relação à organização, somos preparados para cuidar de sua imagem através da comunicação.

Eis mais um filão no mercado para nós, profissionais de RP.

Como sempre digo, mercado há; o que falta é gente apta a trabalhar e pensar.

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Sobre Leonardo das Neves

Graduando em Relações Públicas pelo UNI-BH. Premiado por três vezes com o “Projeto Vitrine”, destinado aos alunos que se destacaram.

3 comentários

  1. Seria mesmo um avanço tremendo se algum clube pudesse dizer que é suatentável ! rs !

    @helcio84

  2. Além de dizer, Hélcio, seria melhor ainda se esses fizesse seu papel social.

    Como eu disse no artigo, seria uma contribuição tamanha para a contituição de uma imagem positiva perante seus stakeholders.

    Muito obrigado por comentar sempre!
    =)

  3. Felipe C. Barbosa disse: - Responder

    O Barcelona FC é um clube que tem uma fundação que desenvolve programas socias. O Boca Juniors também. Tanto é, que ambos eram os únicos clubes do mundo a carregar em sua camiseta a marca da “UNICEF”.

    Se entrares agora no site do Barcelona e fores onde diz “Fundacio”, verás que tem um banner promovendo ajuda ao Haiti.

    Aqui no Brasil, acho que algumas torcidas é que fazem esse papel. Vou pegar o exemplo aqui do RS, Grêmio e Inter. Sei, que suas Torcidas Organizadas promovem campanhas para arrecadar roupas, alimentos e brinquedos para pessoas carentes.

    A dupla GRENAL tem parceria com o Vida Urgente, que promove campanhas a respeito da segurança no trânsito. Não sei como funciona, se os clubes direcionam algum dinheiro pra essa fundação ou apenas liberam o espaço no estádio e deixam usar suas marcas.

    Falando de forma geral. Os clubes no Brasil arrecadam muito sim. Mas também estão afundados em dívidas. Muitas dessas quantias pagas a jogadores, não saem dos cofres das equipes, e sim de empresários e investidores. Aqui eu poderia começar toda uma discussão a respeito do tema, pois creio que no mundo da bola os únicos que ganham são esses grupos que detém o passe de fato, dos jogadores.

    O Santos, provavelmente não é quem banca o Neymar. Mas sim, diversos parceiros que irão ganhar MUITO com esse jogador. Ao “cobrar” os 150 mil de multa, esse dinheiro vai se perder entre os investidores e até entre os credores do clube que vão aproveitar que irá “sobrar” dinheiro, para cobrar alguma dívida.

    Essa semana saiu uma matéria onde foi publicado que a Vila Belmiro foi posta em juízo devido a uma dívida de 17 milhões de reais com o ex-presidente do clube. Serviu de garantia.

    Sobre os funcionários. Na verdade, os jogadores muitas vezes fazem parte de algum ato de caridade e ajudam pessoas com necessidades. Isso acontece. Ao menos aqui no RS.

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